Aline Barros e o marido, Gilmar Santos, são citados em uma ação de R$ 398,5 mil movida pela empresa Fanplay Technology Produções e Eventos. A credora sustenta que o casal teria participado de uma estrutura de ocultação de patrimônio para dificultar o recebimento de uma dívida do Grupo Gênesis, produtora da qual ambos eram sócios.
Eu estava diante de uma obra na Casa Roberto Marinho quando li “fraude patrimonial” e parei. Porque uma acusação desse tamanho não cabe em cochicho de corredor nem em título que já condena antes da Justiça: ela precisa ser contada com todos os nomes, valores, versões e negativas.

A origem da disputa remonta a 2019, quando Fanplay e Grupo Gênesis firmaram uma parceria para eventos. A empresa afirma ter antecipado R$ 120 mil para a primeira produção e diz que o dinheiro não foi devolvido após o resultado financeiro abaixo do esperado e o cancelamento de um segundo projeto.
O Grupo Gênesis contestou a cobrança, sustentando que o valor fazia parte de uma parceria comercial, não de um empréstimo. A Justiça, no entanto, determinou a devolução de R$ 125 mil, com juros, correção e despesas processuais. A condenação se tornou definitiva, mas a cobrança seguiu sem solução.
Eu fui andando devagar pelo jardim, porque aí começa a parte mais pesada da história. A Fanplay afirma que a produtora foi encerrada oficialmente em maio de 2025, quando a dívida ainda era cobrada, e levanta suspeitas de que atividades e receitas ligadas à carreira de Aline teriam sido transferidas para outras empresas.
No processo, a empresa pede que Aline, Gilmar e outros envolvidos respondam diretamente pela dívida. A credora cita suposta confusão patrimonial, sucessão empresarial irregular e transferência de ativos. Um desembargador registrou que a Fanplay alega haver “robusta prova documental de fraude patrimonial, desvio de ativos e utilização de pessoas físicas e jurídicas interpostas para ocultação do patrimônio”.
Mas alegação não é sentença, minhas filhas. A Justiça negou os pedidos de bloqueio cautelar de contas e créditos artísticos em duas decisões, por entender que ainda não havia elementos suficientes para restringir patrimônio de terceiros antes da análise do mérito.
A assessoria de Aline Barros nega qualquer fraude e afirma que o caso decorre de divergências contratuais entre empresas sobre um evento virtual realizado durante a pandemia. Em nota, declarou que a artista e o marido atuam dentro da lei, participam regularmente do processo e vão cumprir a decisão final da Justiça.

Eu saio da Casa Roberto Marinho com a cabeça cheia, porque o caso continua aberto e a conta é alta. Até aqui, não há decisão definitiva que reconheça fraude patrimonial ou determine que Aline Barros responda pessoalmente pela dívida. Mas o processo já colocou uma cantora acostumada a cantar fé diante de uma briga judicial que ainda promete muitos capítulos.