Eu confesso que fico levemente emocionada quando o Brasil decide atravessar o Atlântico sem pedir licença. A Kobbi Gallery simplesmente pousou em Frankfurt como quem chega a um coquetel elegante, ajusta os óculos escuros e avisa que a fotografia brasileira também sabe ser moderna, ousada e cheia de pose.
A exposição Modernidade! Fotografia do Brasil 1940 a 1960 ocupa a Leica Gallery Frankfurt com imagens que não pedem permissão para existir. São obras que quebraram padrões, desafiaram enquadramentos comportados e ajudaram a construir um Brasil urbano, industrializado e cheio de tensão estética. Nada de fotografia boazinha para turista ver. Aqui tem concreto, cidade crescendo e olhar afiado.
O coração da mostra bate forte no Foto Cine Clube Bandeirante, aquele grupo que decidiu que São Paulo merecia ser vista como metrópole internacional, mesmo quando o mundo ainda não estava olhando. É fotografia com ambição, com linhas duras, contrastes assumidos e uma vontade quase arrogante de dialogar com o que havia de mais avançado fora do país.
Entre os nomes, Nelson Kojranski surge como o galã silencioso dessa história. Exclusivo da Kobbi Gallery, ele aparece com imagens que misturam rigor formal, ousadia estética e uma sensibilidade urbana que não tenta agradar ninguém. Tudo isso embalado por uma curadoria dedicada de Rubens Fernandes Jr., que trata o acervo como quem cuida de joias raras.
O elenco segue poderoso. Gaspar Gasparian, German Lorca, José Yalenti e Eduardo Salvatore entram em cena transformando a cidade em palco e a fotografia em linguagem autoral. A São Paulo deles não é cartão postal. É laboratório visual, cheia de ritmo, sombra, luz e personalidade.
O detalhe que eu adoro comentar com ar blasé. Parte dessas obras vem de coleções internacionais do peso do MoMA e da Tate Modern. E agora, pela primeira vez, essas imagens aparecem juntas em uma grande exposição na Alemanha. Nada mal para quem já foi tratado como nota de rodapé da história.
Enquanto Frankfurt brinda essa modernidade brasileira, São Paulo não fica de fora. A Kobbi Gallery mantém em cartaz uma exposição dedicada a Nelson Kojranski até 14 de março. Ou seja, quem quiser se sentir parte desse circuito internacional sem sair do país ainda dá tempo.
No meu mundinho, isso não é só exposição. É o Brasil entrando em sala elegante, sentando no sofá certo e provando que sempre esteve à altura da conversa.