O Festival Raízes Culturais celebrou o Dia de Luta dos Povos Indígenas (19) com shows que reuniram cânticos tradicionais e ritmos contemporâneos, incluindo apresentação de Maria Gadú. O evento gratuito aconteceu no Espaço Cultural Elza Soares, em São Paulo.
“Hoje é dia de festejar lutando. A luta indígena também tem festejo, como dentro das aldeias, com base espiritual”, disse Maria Gadú. “Temos que celebrar esses artistas, suas artes e toda essa cultura profunda e poder fazer parte, por estar há tantos anos lado a lado, eu fico muito feliz”.
Se apresentaram os artistas: Djuena Tikuna, DJ Eric Terena, Gean Pankararu, Eriya Yawanawa, Katú Mirim, Brisa Flow, Kaê Guajajara, Yura Yuxãnaívu, Ian Wapichana, Owerá e DJ Nelson D. A programação é organizada pelo Mídia Indígena, em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas e outras instituições apoiadoras.
“Esse festival traz a importância da visibilidade para a gente descolonizar os espaços. Infelizmente, a sociedade só se lembra da gente no dia 19 de abril. Mas, nós mostramos que estamos aqui todos os dias, no tradicional e no contemporâneo”, destacou a rapper indígena Katú Mirim.
Brisa Flow esteve no line-up do Lollapalooza de 2023 e, agora, relata a diferença em participar de uma programação composta repleta de indígenas. Ela, também, se apresentou no Festival Brasil é Terra Indígena, realizado em Brasília, também em 2023, organizado pela Mídia Indígena.
“Participar do Lollapalloza foi muito legal, fiquei feliz, mas, ao mesmo tempo, me deixou triste por ainda ser uma novidade. O meu show gerou um impacto grande na mídia, nos jornais. Isso mostra muito sobre a necessidade de a gente estar mais nos espaços”, ressaltou.
Flow une a ancestralidade com o futurismo, com cânticos ancestrais somados ao pop e rapper. Ela destaca que quer mostrar para a juventude indígena que é possível conseguir realizar os sonhos, apesar das dificuldades e do preconceito.
“Eu sou cineasta também, então sonhava desde criança em fazer meus clips. E hoje eu já consegui dominar algumas tecnologias, aprendi a me gravar, entrei dentro do mundo do rap, que é um universo muito masculino, ocupei meu espaço”, continuou.
Marcaram presenças a deputada federal e ex-ministra de Estado, Sonia Guajajara (Psol-SP), a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lúcia Alberta Baré, o secretário-executivo dos Ministérios dos Povos Indígenas, Marco Kaingang, e a liderança indígena Alessandra Munduruku, da região do Tapajós (PA).
O Festival Raízes Culturais encerrou a programação da Feira de Artes dos Povos Indígenas, que iniciou na quinta (16) e terminou neste domingo, com o saldo de cerca de R$ 500.000 aos 100 expositores de 52 etnias.
“O festival representa comemoração e de resistência. A Feira de Arte Indígena foi um sucesso. Os expositores voltam para casa sem seus produtos, porque venderam tudo. Então celebramos o sucesso da feira. Estamos aqui para mostrar que São Paulo é território indígena”, diz Priscila Tapajowara, da coordenação do Mídia Indígena e da organização da feira e do festival.


