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Kátia Flávia
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Ex-babá de Renata Sorrah processa atriz por quase R$ 1 milhão na Justiça

A ex-funcionária, que trabalhou por mais de uma década na casa da veterana da Globo e da filha, a médica Mariana Simões, alega acúmulo ilegal de funções, jornadas de até 24 horas, salário pago “por fora” e demissão enquanto estava doente. E olha, minha gente, R$ 916 mil não é processo, é documentário.

Kátia Flávia

20/05/2026 9h30

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Nos atos do processo,a trabalhadora relata rotina de trabalho abusiva e mais de 10 anos sem aumento salarial (Foto: Reprodução/Terra)

Estava eu na academia do Leblon tentando fazer meu cardio matinal com alguma dignidade quando o celular simplesmente não parou mais. Amigas do Cosme Velho, colegas de redação, a minha própria manicure me mandando áudio de quatro minutos: a notícia exclusiva do jornalista Daniel Nascimento, no O Dia, havia detonado o mundo do entretenimento carioca. Uma ex-funcionária entrou na Justiça contra Renata Sorrah e sua filha Mariana Simões, pedindo quase um milhão de reais por uma década de trabalho que, segundo a ação, foi longe demais do que estava escrito em carteira.

O processo conta que a profissional foi contratada em abril de 2014 como babá dos netos da atriz, mas que ao longo dos anos o combinado foi ficando para trás sem nenhuma formalização. Ela passou a lavar, passar, cozinhar, limpar a casa e ainda cuidar do animal de estimação da família, acumulando função atrás de função sem ver um reajuste sequer no salário. E por mais de dez anos. A ação descreve jornadas começando às sete da manhã e se estendendo até as oito, nove da noite, sem controle de ponto, e períodos inteiros em regime de plantão com pernoite na residência, disponível por até 24 horas consecutivas, inclusive de madrugada.

O que aparece como salário nos documentos oficiais era R$ 2 mil mensais, mas a ex-funcionária afirma que recebia R$ 3 mil, sendo a diferença paga “por fora”, prática que, se comprovada, puxa consigo uma conta enorme de reflexos trabalhistas. Os advogados dela defendem ainda que, pelo volume de funções exercidas, o salário correto deveria ter sido de R$ 3.900 mensais, o que abre uma diferença brutal acumulada ao longo de mais de uma década. A trabalhadora acompanhou a família inclusive em viagens internacionais, sem qualquer compensação financeira pelos deslocamentos ou pelo tempo à disposição longe de casa.

O desfecho da história é o que mais pesa. A ex-funcionária desenvolveu transtorno de ansiedade generalizada e fibromialgia, condições que a ação associa às exigências do trabalho. Ela chegou a se afastar pelo INSS e, ao retornar, foi demitida com a justificativa de que “as crianças já estavam grandes”. A defesa aponta suspeita de dispensa discriminatória. Depois da demissão, Renata Sorrah e Mariana Simões teriam se comprometido a custear o tratamento médico da ex-funcionária por 12 meses, mas cortaram o suporte já no segundo mês. A ação aponta ainda assédio moral, ausência de exame demissional e pedido de indenização por danos morais de R$ 60 mil. A coluna procurou Renata Sorrah e, até agora, não teve retorno.

Fiquei tentando ligar pro Daniel Nascimento a manhã inteira aqui no Leblon para arrancar mais algum detalhe do bastidor desse processo, e ele, jornalista sério que é, guardou o que tinha que guardar. O que está no papel já basta: dez anos, acúmulo de sete funções, salário por fora, demissão na doença, promessa de tratamento quebrada no segundo mês. Renata Sorrah é uma das atrizes mais respeitadas do país, e a filha é médica. Se tem uma coisa que essa história ensina é que título na porta não garante que a casa funcione direito por dentro.

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