Sentada na aula, ainda tentando controlar a respiração de quem correu pra não perder o horário, ouço a professora comentar a fala de Everaldo Marques durante a transmissão de França e Marrocos, em Boston. Com 32°C na abertura do jogo, o narrador da Globo reclamou ao vivo da falta de estrutura no estádio, sem cobertura pra proteger a posição de transmissão do sol e de possível chuva. Ele foi direto: cobrou que o “padrão Fifa” exigido em países como África do Sul e Brasil devia valer também nos Estados Unidos, e não valeu.
O bastidor pesa porque Everaldo não foi o único a espernear. Galvão Bueno, do SBT, fez o mesmo desabafo no mesmo estádio, contou que já tinha estado lá à noite e que dessa vez pegou sol direto, estádio antigo e sem cobertura pra ninguém. Ele ainda relatou que Bastian Schweinsteiger, comentarista da TV alemã na cabine ao lado, chegou a passar mal de calor, e lamentou não estar em Miami cobrindo Brasil e Inglaterra dali a dois dias.

Na roda de personal, ninguém fala de outra coisa: profissional de transmissão reclamando de calor extremo ao vivo, sem exagero nenhum, rendeu risada e indignação ao mesmo tempo entre as alunas da aula.

Termino o alongamento e solto o veredito puxando fôlego: Fifa que cobra padrão rico pra uns e larga profissional pra fritar em outros não tá organizando Copa, tá fazendo média.