Um detalhe na camisa oficial da Seleção Brasileira com o nome de Neymar virou assunto nas redes sociais e irritou torcedores às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo. A discussão começou depois que um internauta notou uma diferença na personalização do uniforme vendido pela Nike.
Depois do almoço, minhas amigas ainda estavam na mesa fingindo que só ficariam “mais cinco minutinhos”, que é a maior mentira social depois de “não vou querer sobremesa”. Eu recolhia taças, olhava para a televisão com a abertura da Copa ainda de fundo e tentava decidir se o resto da tarde seria de trabalho ou de digestão artística. Foi quando apareceu a camisa oficial do Brasil com o nome de Neymar causando crise nacional por causa de um detalhe minúsculo. Parei com uma taça na mão. Porque torcedor brasileiro pode até perdoar gol perdido em amistoso, mas mexeu na camisa amarela, meu amor, abre-se uma CPI emocional.

A confusão envolve a personalização do uniforme da Seleção Brasileira. Na opção disponível pela Nike, o nome do camisa 10 aparece como “Neymar Jr.”, com ponto final depois da abreviação.
O detalhe viralizou porque a forma mais conhecida usada pelo jogador ao longo da carreira é “Neymar Jr”, sem o ponto. Em uniformes de clubes, materiais promocionais e registros ligados à imagem do atacante, a grafia sem a pontuação aparece com mais frequência.
A publicação rapidamente se espalhou entre torcedores. Parte do público tratou o caso como erro da fornecedora, enquanto outros lembraram que “Jr.”, com ponto, também pode ser considerado correto do ponto de vista gramatical, já que se trata de uma abreviação de “Júnior”.
Só que futebol não vive apenas de gramática. Vive de símbolo, superstição, tradição e detalhe.
E, para muitos torcedores, ver a camisa de Neymar com uma grafia diferente daquela associada ao jogador ao longo dos anos foi suficiente para transformar uma pontuação em crise de identidade esportiva.

A discussão ganhou força justamente no dia em que a Copa do Mundo começa oficialmente. O Brasil estreia no sábado (13), contra o Marrocos, e a situação de Neymar segue cercada de expectativa, lesão, exame, torcida e muita ansiedade nacional.
Enquanto isso, a camisa virou mais uma pauta na montanha-russa emocional da Seleção. O ponto final, que na língua portuguesa serviria apenas para encerrar uma abreviação, acabou parecendo para alguns torcedores uma provocação visual no uniforme do camisa 10.
Terminei de recolher as taças pensando que o Brasil é um país fascinante. A gente discute convocação, escalação, lesão, geopolítica da Copa e, de repente, está todo mundo brigando por causa de um ponto depois de “Jr”. Mas eu entendo. Em semana de Mundial, qualquer detalhe vira presságio. Até pontuação. Principalmente pontuação.