Malu Gaspar e Octavio Guedes protagonizaram uma discussão ao vivo nesta segunda-feira (22), durante o Estúdio i, da GloboNews. O clima esquentou quando os dois falavam sobre o Tribunal Superior Eleitoral, a eleição suplementar em Roraima e a indefinição sobre o futuro político do Rio de Janeiro.
As meninas ainda estavam aqui em casa, já naquela fase em que o café vira vinho branco e ninguém mais lembra quem pegou o último pedaço do bolo, quando uma delas gritou da sala: “Kátia, corre, a Malu e o Octavio estão se estranhando ao vivo!”. Eu larguei a louça na pia e fui ver, porque jornalista brigando em bancada é quase uma DR de condomínio com vocabulário constitucional. E, meus amores, essa veio com Dino, TSE, eleição roubada e faísca no olhar.

A discussão começou quando Octavio Guedes afirmou que “a Justiça Eleitoral não pode demorar o tempo que está levando para julgar casos como a eleição roubada no Rio de Janeiro e de Roraima”. A fala abriu espaço para Malu Gaspar puxar a atuação do ministro Flávio Dino no caso do Rio.
No Rio de Janeiro, Cláudio Castro e o vice renunciaram em março de 2026, pouco antes de serem julgados pelo TSE. Em junho, o tribunal publicou o acórdão definitivo que rejeitou os recursos e manteve a inelegibilidade de Castro até 2030. Com a interrupção do mandato, foi determinada uma nova eleição para um mandato-tampão, mas ainda cabe ao STF decidir se ela será direta ou indireta.
Malu reclamou que Dino “pediu vista” e que o caso estava há tempos sem decisão definitiva. Octavio respondeu que o ministro tratava de “outra questão” e insistiu que o TSE precisava decidir se uma eleição havia sido roubada ou não. “A Justiça não pode demorar quatro anos para decidir se uma eleição foi roubada”, disse ele.

Malu então rebateu, lembrando que o próprio Octavio havia falado sobre evitar críticas muito duras ao TSE para preservar a Justiça Eleitoral. “Estou dizendo que não se fazem críticas tão contundentes até numa forma de preservar a Justiça Eleitoral. Isso eu ouço de gente da Justiça”, afirmou.
A jornalista argumentou ainda que a atuação de Dino também colocaria a Justiça Eleitoral em xeque. Segundo ela, havia discussão sobre se a renúncia de Cláudio Castro teria sido uma fraude ou não, e se ele foi cassado dentro ou fora do mandato, ponto que poderia definir o formato da eleição no Rio.
Octavio manteve a posição e lembrou que o acórdão do TSE já havia sido liberado. Malu, por sua vez, disse que a demora favoreceria a permanência de Ricardo Couto no governo fluminense até o fim do ano. “Isso passa por cima do TSE também”, argumentou.

No meio da troca, Octavio ainda afirmou que já está estabelecido que o Supremo virou uma espécie de corte de recurso ao TSE em alguns casos e negou que houvesse conflito de poderes. Também lembrou que a Justiça lida com questões envolvendo “crime organizado”, elevando ainda mais o peso da conversa.
Resumo da ópera: era para ser análise política, virou embate de bastidor jurídico com direito a interrupção, discordância frontal e aquele silêncio curto de bancada quando todo mundo percebe que a temperatura subiu. Eu adoro quando a GloboNews esquece por dois minutos a porcelana do tom professoral e entrega uma discussão de verdade. Fofoca política também tem seu valor, principalmente quando vem com toga, eleição e jornalista perdendo a paciência.