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Kátia Flávia
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“Deputada travesti do Lula”: Pavanato ataca Erika Hilton em vídeo de campanha

Candidato pediu votos para deputado federal, se apresentou como aliado de Nikolas Ferreira e usou discurso de confronto contra a parlamentar, sem apresentar provas das acusações

Kátia Flávia

16/08/2026 11h07

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Lucas Pavanato atacou Erika Hilton em vídeo de campanha

Lucas Pavanato publicou um vídeo de campanha em que ataca Erika Hilton e pede votos para deputado federal. Na gravação, ele se refere à parlamentar como “a deputada travesti do Lula”, acusa a deputada de mau uso de recursos públicos e apresenta a disputa eleitoral como uma escolha entre “nós ou eles”.

Eu tinha acabado de voltar para a mesa com as pautas do fim da manhã separadas quando esse vídeo apareceu no meu WhatsApp Web. Abri achando que era só mais uma peça de campanha barulhenta, mas veio o pacote completo: ataque pessoal, guerra cultural, acusação sem prova na tela e a velha tentativa de transformar identidade de gênero em palanque.

No vídeo, Pavanato afirma que Erika Hilton votou contra o aumento de penas para crimes hediondos. Também acusa a deputada de contratar maquiadores com dinheiro público, gastar recursos em viagens internacionais e faltar ao trabalho. A gravação não apresenta documentos ou detalhes que sustentem as acusações.

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Candidato se referiu à parlamentar como “deputada travesti do Lula”

E aqui eu paro. Porque acusar em campanha é fácil. Difícil é trazer prova, contexto, número, documento, diária, nota fiscal, presença em sessão, qualquer coisa além de frase pronta para corte de rede social. Sem isso, vira espuma eleitoral com alvo muito bem escolhido.

Ao falar sobre si, Pavanato diz que combateu pancadões, blitzes ilegais e casos de corrupção na saúde. Mas, ainda de acordo com a reportagem, também não especifica quais ações, fiscalizações ou casos embasam essas afirmações.

O candidato se apresenta como “o candidato do Nikolas Ferreira em São Paulo” e diz ser “o maior inimigo da ideologia de gênero”. A expressão é usada por setores da direita e da extrema direita para atacar debates sobre identidade de gênero, diversidade e políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+.

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Pavanato se apresentou como aliado de Nikolas Ferreira e falou em “ideologia de gênero”

Eu li “maior inimigo” e já vi o figurino inteiro da campanha. Quando a pessoa precisa se vender como inimigo de alguma coisa, normalmente é porque escolheu o medo como cabo eleitoral. E, nesse caso, Erika vira personagem central da propaganda justamente por ser uma das parlamentares trans mais conhecidas do país.

Pavanato também afirma que tentaram deixá-lo inelegível por causa dessa atuação, mas não explica quem teria feito isso, qual processo estaria envolvido ou qual foi o resultado do questionamento. A frase fica no ar, servindo mais para alimentar narrativa de perseguição do que para informar o eleitor.

O vídeo termina com o chamado: “Agora, somos nós ou eles. Faça a sua escolha, a jornada começa já”.
Eu fiquei olhando para essa frase porque ela entrega o método inteiro. Não é debate sobre projeto. Não é prestação de contas. É “nós contra eles”, com uma deputada trans transformada em espantalho eleitoral para juntar clique, voto e indignação no mesmo balaio.

Erika Hilton, até aqui, não aparece na reportagem com resposta ao vídeo. Se ela se pronunciar, a história deve ganhar novo capítulo. Porque ataque desse tipo raramente morre sozinho: ele nasce para render reação, corte, militância e mais uma rodada de barulho.

Por enquanto, o que se tem é isso: Pavanato escolheu Erika como alvo, usou a identidade da deputada como munição política e lançou acusações sem apresentar comprovação no próprio vídeo. E eu, sinceramente, já estou vendo essa campanha começar com menos proposta e mais provocação.

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