A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na manhã desta quinta-feira em Alphaville, na Grande São Paulo, pela Operação Vérnix, do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, com Marcola entre os alvos, e seis mandados de prisão preventiva foram cumpridos. Eu estava saindo de casa rumo à academia no Leblon quando a notícia chegou, e posso dizer que o glúteo teve que esperar.
Os números da operação são o tipo de coisa que faz qualquer pessoa parar no meio da calçada. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões vinculados diretamente a Deolane. O total de bloqueios patrimoniais da operação ultrapassa R$ 357,5 milhões. Trinta e nove veículos de luxo foram apreendidos, avaliados em mais de R$ 8 milhões. Fiquei olhando para esses valores com a cara que se faz diante de coisa que a cabeça se recusa a processar de primeira.

O esquema, segundo o MP e a Polícia Civil, passava por depósitos fracionados em espécie, prática conhecida como smurfing, que Deolane teria recebido entre 2018 e 2021, somando mais de R$ 1 milhão. Duas empresas ligadas a ela receberam ainda R$ 716 mil de uma suposta instituição de crédito sem contratos ou serviços identificados. Liguei desesperada para Dayanne Bezerra para entender o que a família estava sabendo, mas o telefone não atendeu. Ninguém do clã Bezerra estava disponível para falar esta manhã.
As investigações começaram em 2019, quando manuscritos e bilhetes apreendidos com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau revelaram ordens internas do PCC, movimentações financeiras e conexões com o alto escalão da facção. A trilha levou a uma transportadora de fachada em Presidente Venceslau, depois ao celular de um operador central do esquema, e esse celular chegou até Deolane. Sete anos de trabalho silencioso enquanto ela postava, viajava e acumulava contratos.

Cheguei à academia, entrei na sala de musculação e tentei focar no treino, mas a cabeça não desgruda desses números. Enquanto Deolane construía um império de influência em público, o MP construía um dossiê em silêncio. Ela voltou de Roma na quarta. Foi presa na quinta. E R$ 357 milhões bloqueados é o tipo de conta que nenhum habeas corpus quita com facilidade.