Eu estava em Madrid, circulando pelo El Rastro com as amigas, quando chegou ao meu celular uma notícia que me fez querer trocar o passeio espanhol por um tênis velho e uma camiseta de banda. Gente, o Dead Fish subiu ao palco do Vert Battle SP 2026 e fez o skate encontrar o hardcore numa combinação que tem mais história do que muita banda por aí tem de repertório!
E olha que eu, fofoqueira de quinta categoria com pós-graduação em bisbilhotar a vida alheia, adoro quando uma notícia musical vem acompanhada de uma boa história. Porque o vocalista Rodrigo Lima não apareceu ali apenas para cantar. O homem resolveu abrir o baú e contar como o skate praticamente apresentou o punk rock a ele.
O show aconteceu no sábado (17), no Centro Esportivo do Tietê, em São Paulo, encerrando o primeiro dia do campeonato. Entre manobras radicais e guitarras barulhentas, o Dead Fish colocou sua identidade hardcore numa competição que também celebra a cultura urbana.
Mas segura minha caña, porque a melhor parte veio antes de Rodrigo pegar o microfone.

O vocalista contou que era skatista nos anos 1980 e que descobriu as bandas de hardcore justamente andando de skate na Praça dos Namorados, em Vitória, no Espírito Santo. Em 1986, segundo ele, a turma das pistas já circulava ao som de grupos que ajudariam a moldar seu gosto musical.
“Eu sou skatista dos anos 80. Lá no meu tempo, a cultura era o skate punk. Eu não venho do hardcore e depois fui pro skate; eu venho do skate e depois fui pro hardcore”, explicou Rodrigo.
Peraí. Então o skate chegou primeiro e o hardcore veio de carona? Está explicado! O homem praticamente cresceu com uma rodinha de skate num pé e uma guitarra imaginária no outro.
E tem uma coisa deliciosa nessa história: enquanto muita marca passa anos tentando convencer o público de que entende de cultura urbana, Rodrigo tem uma relação com esse universo que começou décadas antes de o marketing descobrir que skate e música rendem boas campanhas.
Agora vem a parte empresarial da fofoca, porque nem só de guitarra distorcida vive um campeonato.

Criado em 2016 pelo skatista profissional Rony Gomes, o Vert Battle chega à sua primeira década como uma das iniciativas dedicadas ao desenvolvimento do skate vertical brasileiro. Desde 2025, integra o Circuito Banco do Brasil de Skate, que reúne diferentes modalidades e amplia o calendário competitivo nacional.
O evento conta com patrocínio do Banco do Brasil e da Visa. E a programação deste domingo (18) prevê as finais a partir das 13h45, com apresentações das bandas Navala e Venera Vai Vênus no encerramento, a partir das 16h30.
Rony Gomes também comemorou a trajetória do projeto e destacou a importância da parceria para fortalecer o skate vertical e ampliar sua visibilidade.
E eu aqui, pensando numa coisa: Rodrigo Lima começou andando de skate em Vitória, descobriu o hardcore nas pistas e, quatro décadas depois, continua levando essa mistura para os palcos.
É muita coerência para um mercado musical que às vezes muda de personalidade mais depressa do que eu troco de assunto numa mesa de fofoca.
No fim das contas, o Dead Fish lembrou uma coisa que deveria estar escrita na porta de muita agência de publicidade: cultura de verdade não nasce numa reunião de brainstorming.
Nasce na rua, cresce com uma turma e, quando dá certo, vira história para contar.
E agora, minhas criaturas, vou continuar meu domingo em Madrid. Porque o Dead Fish pode até ter colocado o hardcore no campeonato de skate, mas eu ainda preciso descobrir como sobreviver às ladeiras espanholas sem transformar meu passeio numa modalidade olímpica de tombo.