Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Dead Fish leva o hardcore ao Vert Battle e faz o skate virar um festival punk

Banda encerrou o primeiro dia do Vert Battle SP 2026 com show em São Paulo. Rodrigo Lima relembrou como o skate mudou sua vida. E que história!

Kátia Flávia

18/10/2026 9h58

yg. 12173

O vocalista da banda, Rodrigo Lima, celebrou as raízes da banda no skate e a união entre as duas culturas (Foto: Ygor Freitas)

Eu estava em Madrid, circulando pelo El Rastro com as amigas, quando chegou ao meu celular uma notícia que me fez querer trocar o passeio espanhol por um tênis velho e uma camiseta de banda. Gente, o Dead Fish subiu ao palco do Vert Battle SP 2026 e fez o skate encontrar o hardcore numa combinação que tem mais história do que muita banda por aí tem de repertório!

E olha que eu, fofoqueira de quinta categoria com pós-graduação em bisbilhotar a vida alheia, adoro quando uma notícia musical vem acompanhada de uma boa história. Porque o vocalista Rodrigo Lima não apareceu ali apenas para cantar. O homem resolveu abrir o baú e contar como o skate praticamente apresentou o punk rock a ele.

O show aconteceu no sábado (17), no Centro Esportivo do Tietê, em São Paulo, encerrando o primeiro dia do campeonato. Entre manobras radicais e guitarras barulhentas, o Dead Fish colocou sua identidade hardcore numa competição que também celebra a cultura urbana.

Mas segura minha caña, porque a melhor parte veio antes de Rodrigo pegar o microfone.

yg. 12177
Para encerrar a programação do dia com chave de ouro, a banda de hardcore Dead Fish subiu ao palco e animou o público no final da tarde. (Foto: Ygor Freitas)

O vocalista contou que era skatista nos anos 1980 e que descobriu as bandas de hardcore justamente andando de skate na Praça dos Namorados, em Vitória, no Espírito Santo. Em 1986, segundo ele, a turma das pistas já circulava ao som de grupos que ajudariam a moldar seu gosto musical.

“Eu sou skatista dos anos 80. Lá no meu tempo, a cultura era o skate punk. Eu não venho do hardcore e depois fui pro skate; eu venho do skate e depois fui pro hardcore”, explicou Rodrigo.

Peraí. Então o skate chegou primeiro e o hardcore veio de carona? Está explicado! O homem praticamente cresceu com uma rodinha de skate num pé e uma guitarra imaginária no outro.

E tem uma coisa deliciosa nessa história: enquanto muita marca passa anos tentando convencer o público de que entende de cultura urbana, Rodrigo tem uma relação com esse universo que começou décadas antes de o marketing descobrir que skate e música rendem boas campanhas.

Agora vem a parte empresarial da fofoca, porque nem só de guitarra distorcida vive um campeonato.

yg. 12207
“Conheci bandas icônicas diretamente nas pistas de skate. Essa conexão entre o skate e o som sempre foi natural e essencial,” disse Rodrigo Lima. (Foto: Ygor Freitas)

Criado em 2016 pelo skatista profissional Rony Gomes, o Vert Battle chega à sua primeira década como uma das iniciativas dedicadas ao desenvolvimento do skate vertical brasileiro. Desde 2025, integra o Circuito Banco do Brasil de Skate, que reúne diferentes modalidades e amplia o calendário competitivo nacional.

O evento conta com patrocínio do Banco do Brasil e da Visa. E a programação deste domingo (18) prevê as finais a partir das 13h45, com apresentações das bandas Navala e Venera Vai Vênus no encerramento, a partir das 16h30.

Rony Gomes também comemorou a trajetória do projeto e destacou a importância da parceria para fortalecer o skate vertical e ampliar sua visibilidade.

E eu aqui, pensando numa coisa: Rodrigo Lima começou andando de skate em Vitória, descobriu o hardcore nas pistas e, quatro décadas depois, continua levando essa mistura para os palcos.

É muita coerência para um mercado musical que às vezes muda de personalidade mais depressa do que eu troco de assunto numa mesa de fofoca.

No fim das contas, o Dead Fish lembrou uma coisa que deveria estar escrita na porta de muita agência de publicidade: cultura de verdade não nasce numa reunião de brainstorming.

Nasce na rua, cresce com uma turma e, quando dá certo, vira história para contar.

E agora, minhas criaturas, vou continuar meu domingo em Madrid. Porque o Dead Fish pode até ter colocado o hardcore no campeonato de skate, mas eu ainda preciso descobrir como sobreviver às ladeiras espanholas sem transformar meu passeio numa modalidade olímpica de tombo.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado