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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Com eleições no centro, Globo reorganiza jornalismo, mexe em programas e amplia aposta multiplataforma

A Globo apresentou as principais mudanças no jornalismo para 2026, com foco especial na cobertura eleitoral e em grandes eventos globais. A estratégia envolve televisão, plataformas digitais, redes sociais e novos formatos editoriais.

Kátia Flávia

06/02/2026 9h00

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William Bonner e Sandra Annenberg estreiam juntos à frente do ‘Globo Repórter’ a partir de 20 de fevereiro. Foto: Bob Paulino/Globo

Eu confesso que adoro esse momento em que a Globo se olha no espelho, ajeita o cabelo e diz para a praça inteira: atenção, o jogo vai mudar. E 2026 não é um ano qualquer. É eleição, é Copa, é tensão no ar e disputa por narrativa em tempo real. Ninguém entra de salto baixo.

O anúncio das novidades do jornalismo deixa claro que a emissora decidiu colocar as eleições como eixo organizador de toda a operação. Telejornais de rede e locais entram em modo cobertura total, com integração forte das afiliadas e presença diária nas ruas. A ordem é capilaridade, leitura de cenário e velocidade, sem abrir mão da checagem, palavra repetida como mantra por quem sabe o tamanho da responsabilidade.

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Globo prepara cobertura especial multiplataforma das Eleições. Foto: Bob Paulino/Globo

O debate presidencial logo após o Jornal Nacional já diz muito sobre a ambição do projeto. Não é só uma decisão de grade, é simbólica. O horário mais disputado da TV aberta vira palco direto do confronto político. As sabatinas fora do JN também reforçam essa ideia de criar novos espaços, com formatos próprios e ritmo menos engessado.

No Jornal da Globo, Renata Lo Prete assume papel ainda mais ativo ao circular o país ao lado de Felipe Nunes, da Quaest, em busca daquele eleitor que não se declara de lado nenhum e costuma decidir eleição. Esse movimento mostra uma tentativa clara de traduzir dados em narrativa acessível, sem transformar tudo em gráfico frio.

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‘Fantástico’ apresenta novas séries e quadros. Foto: Bob Paulino/Globo

A GloboNews entra em estado permanente de cobertura. Programas ao vivo, entrevistas com candidatos, análises profundas e uma Central das Eleições pensada para ir além do breaking news. Ali, o discurso é de antecipação, bastidor e leitura estratégica, porque eleição não se entende só no dia da votação.

O g1 reforça a musculatura digital com produção contínua, vídeos verticais, transmissões ao vivo nas redes e ampliação do projeto de checagem de fatos. A promessa é acompanhar cada passo da campanha e entregar dados da apuração em tempo real, município por município. Aqui, o recado é claro: disputar atenção onde o público já está.

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Renata Lo Prete em coletiva para apresentar as novidades do Jornalismo da Globo para 2026. Foto: Bob Paulino/Globo

Enquanto isso, programas tradicionais também entram em nova fase. O Globo Repórter ganha Sandra Annenberg e William Bonner dividindo a apresentação, num movimento que mistura credibilidade acumulada com tentativa de conversa mais próxima. O Fantástico aposta em séries sobre ciência, inteligência artificial e saúde mental, assuntos que dialogam diretamente com o clima do mundo agora.

O Bom Dia Brasil ganha cenário novo e linguagem mais integrada, aproximando redação, estúdio e tecnologia. A ideia é tornar o jornal mais visual, mais interativo e mais conectado à rotina de quem acorda com o país.

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Julia Duailibi e Andréia Sadi. Foto: Bob Paulino/Globo

Nos documentários, a emissora amplia o investimento em temas investigativos e sociais, com produções que transitam entre TV, Globoplay e GloboNews. É uma forma de aprofundar assuntos que não cabem no tempo curto do jornal diário e, ao mesmo tempo, marcar posição editorial.

No fundo, o que eu vejo é a Globo deixando claro que 2026 será tratado como um ano de teste máximo. De formato, de linguagem, de confiança e de fôlego. É jornalismo em estado de alerta, com tudo que isso carrega de risco, poder e responsabilidade. E, goste ou não, quando a Globo se movimenta assim, o mercado inteiro presta atenção.

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