Eu estava na academia, tentando terminar minha aula de spinning sem perder a dignidade, quando as meninas da turma chegaram com uma notícia que fez até a bicicleta parecer menos importante. Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais pelo Republicanos, conseguiu uma decisão favorável no Tribunal de Contas do Estado antes mesmo de assumir o cargo. E o assunto envolve futebol, dinheiro público e R$ 32 milhões destinados a Cruzeiro, Atlético e América. Minha gente, nem a música da academia conseguiu competir com essa conversa.
A história começou quando o governo mineiro anunciou um acordo para que a Cemig e a Codemig patrocinassem os três clubes. A divisão prevista era de R$ 15 milhões para o Atlético, outros R$ 15 milhões para o Cruzeiro e R$ 2 milhões para o América. A proposta surgiu em meio às mudanças no financiamento do futebol brasileiro, especialmente com a saída das casas de apostas do mercado. O governo defendia a iniciativa como uma forma de apoiar o esporte mineiro, mas Cleitinho resolveu questionar a utilização desses recursos.

O político apresentou uma representação ao Tribunal de Contas de Minas Gerais contra os patrocínios. Nesta terça-feira, 3 de novembro, a Corte determinou a suspensão cautelar dos contratos. A medida representa uma vitória inicial para Cleitinho, embora ainda não seja uma decisão definitiva sobre a legalidade dos repasses. O governador eleito comemorou o resultado nas redes sociais e reforçou que não considera adequado destinar mais de R$ 30 milhões de empresas estatais ao futebol profissional enquanto Minas enfrenta dificuldades financeiras.
E foi justamente o discurso dele que chamou minha atenção. Cleitinho fez questão de dizer que ama futebol, mas questionou a prioridade de colocar milhões de reais em clubes que funcionam como organizações privadas. Ele mencionou problemas relacionados ao pagamento de servidores e à merenda escolar, defendendo que o Estado precisa olhar primeiro para suas obrigações essenciais. A discussão, portanto, deixou de ser apenas esportiva e passou a envolver a maneira como o dinheiro das empresas públicas deve ser administrado.
Agora, minhas queridas, existe um detalhe que não pode ficar perdido nessa história. Patrocínio de estatal não é necessariamente a mesma coisa que retirar dinheiro diretamente da educação ou da saúde. Empresas públicas podem investir em publicidade e ações comerciais, desde que existam justificativas técnicas e benefícios demonstráveis. A questão levantada no processo é justamente se os contratos atendem a esses critérios. O governo estadual ainda poderá apresentar seus argumentos.
Cleitinho nem assumiu o governo de Minas e já protagoniza uma disputa sobre as prioridades financeiras do Estado. Enquanto Cruzeiro, Atlético e América aguardam os próximos capítulos, a suspensão dos R$ 32 milhões coloca uma pergunta na mesa: até onde uma estatal deve financiar o futebol profissional quando existem tantas outras demandas públicas? Terminei meu spinning pensando nisso. Porque, no futebol, todo mundo quer ver seu time ganhar. Na administração pública, a conta precisa fazer sentido até para quem não torce por ninguém.