Leandro Karnal relatou ter sofrido uma tentativa de roubo enquanto voltava para casa após desembarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, durante o temporal que atingiu a capital. Segundo o historiador, dois homens em uma moto tentaram quebrar o vidro do carro e, sem conseguir, chutaram o retrovisor do veículo.
Eu já estava no Mercado de San Antón, com as tapas chegando à mesa em Madri, quando li o relato e perdi o apetite por alguns segundos. Porque não existe equilíbrio emocional que dê conta de voo atrasado, cidade alagada, trânsito parado e ainda uma tentativa de roubo no meio do caminho.

“Dois homens em uma moto tentaram quebrar o vidro do meu carro. Não conseguiram, mas chutaram o retrovisor com raiva”, escreveu Karnal nas redes sociais. Ele disse que precisou concluir o percurso sem o retrovisor direito, tentando mudar de faixa em meio ao engarrafamento.
Eu fico pensando no pânico de estar preso dentro de um carro, sem conseguir avançar ou sair da situação, vendo gente se aproximar e sem saber o que pode acontecer no segundo seguinte. A pessoa sai para trabalhar, volta de uma palestra e termina o dia tendo de sobreviver ao caos urbano.
Antes da tentativa de roubo, Karnal enfrentou dificuldades ainda no voo de retorno de Goiás. A aeronave permaneceu mais de uma hora no ar, fazendo círculos, até conseguir pousar em Congonhas por causa das condições climáticas. Depois, o trajeto de cerca de nove quilômetros até sua casa levou 2h40.
Eu deixei o celular de lado por um instante e olhei para as minhas amigas, porque a cidade grande às vezes testa a paciência, mas também testa a segurança de quem só quer chegar em casa. E ninguém deveria precisar transformar medo em exercício de autocontrole para seguir a noite.
Karnal afirmou que não sofreu ferimentos e optou por não acionar a polícia. Procurada pelo Estadão, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou não ter localizado registro da ocorrência. O escritor resumiu o dia como um momento em que precisou buscar calma diante da crise ao redor.

Eu espero que ele fique bem e que o retrovisor seja a única perda dessa história. Porque tempestade passa, trânsito anda e voo pousa, mas a sensação de vulnerabilidade fica. E isso não pode ser tratado como mais um detalhe normal da rotina de São Paulo.