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Kátia Flávia
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“Cheques do Queiroz”: Economista passa pano para Michelle e é escrachado na Globonews

Daniel Sousa tentou defender o discurso de “pureza” da ex-primeira-dama, mas Octávio Guedes interrompeu a análise e lembrou os R$ 89 mil recebidos por Michelle Bolsonaro de Fabrício Queiroz e da esposa dele

Kátia Flávia

26/06/2026 14h00

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Octávio Guedes rebateu Daniel Sousa ao vivo durante debate sobre Michelle Bolsonaro.

A crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro voltou a render na GloboNews. Durante debate no Studio i, o economista Daniel Sousa tentou sustentar que a ex-primeira-dama havia montado um discurso calculado sobre “valores cristãos”, mas Octávio Guedes cortou o clima e lembrou um ponto que o bolsonarismo prefere deixar no porão: os cheques de Fabrício Queiroz.

Eu ainda estava em Petrópolis, com a serra fria do lado de fora e a novela aberta na tela, quando o celular começou a vibrar com trecho de GloboNews. Achei que fosse mais uma rodada de análise educada, dessas que a gente ouve dobrando manta no sofá. Que nada. Quando Octávio Guedes puxou Queiroz no meio da conversa sobre pureza cristã, eu larguei o controle remoto e sentei direito. Porque, minha filha, tem debate que começa em “valores” e termina no extrato bancário.
A discussão girava em torno do vídeo publicado por Michelle Bolsonaro, no qual ela acusou Flávio de desrespeitá-la durante uma conversa sobre a articulação do PL no Ceará. O episódio abriu uma crise pública dentro do bolsonarismo, justamente num momento em que Flávio tenta se firmar como nome eleitoral competitivo.

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Jornalista lembrou os cheques de Fabrício Queiroz recebidos por Michelle entre 2011 e 2016.

Para Octávio Guedes, Flávio tem reagido mal às crises recentes. O jornalista citou tanto a confusão envolvendo o Banco Master e a cinebiografia de Jair Bolsonaro quanto a primeira resposta do senador ao vídeo de Michelle, quando ele tentou minimizar o assunto dizendo que era dia de jogo do Brasil.
“Flávio não age com inteligência quando é confrontado”, avaliou Guedes, dizendo que o senador entra em estado de negação quando precisa administrar problemas.

Mas a parte mais quente veio quando o debate virou para Michelle. Guedes afirmou que o discurso dela é mais radical que o de Flávio por defender uma autoridade religiosa acima de princípios republicanos. Segundo ele, esse tipo de fala ameaça o Estado laico e precisa ser tratado com seriedade.
Daniel Sousa tentou ponderar que Michelle havia organizado bem sua posição e se colocado como alguém que defende “valores cristãos”, enquanto os filhos de Bolsonaro pareciam incoerentes. Foi aí que Octávio entrou com a frase que derrubou a bandeja.
“Só quero lembrar que toda essa pureza que ela defende, ela recebeu cheques do Queiroz. Isso nunca foi esclarecido”, disparou.

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Crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro voltou a expor rachaduras dentro do bolsonarismo.

Pronto. Ali a análise deixou de ser ciência política e virou luz branca de delegacia em cima do discurso. Fabrício Queiroz, vale lembrar, foi apontado como personagem central no caso das rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro. Michelle recebeu R$ 89 mil de Queiroz e da esposa dele, Márcia Aguiar, entre 2011 e 2016, valor que Jair Bolsonaro já tentou justificar como pagamento de empréstimo.
Andréia Sadi reforçou a informação durante o programa, citando reportagem do G1 sobre os repasses.

Quando Daniel tentou reagir, dizendo que ninguém estava comprando o discurso de Michelle “pelo valor de face”, Guedes cortou de novo.
“Equívoco seu, Daniel. Eu não falei nada disso. Eu não comento comentário de comentarista. Estou trazendo fatos jornalisticamente”, rebateu.
E foi exatamente aí que a fofoca política ganhou aquele brilho venenoso que atravessa a tela. Porque uma coisa é Michelle gravar vídeo com tom de sermão, falar em valores, família, fé e bastidor partidário. Outra é esse discurso ser colocado ao lado de um caso financeiro nunca plenamente explicado para o público.

Guedes ainda concluiu que não dá para sustentar discurso de pureza política ignorando contradições tão grandes. “Não é possível esse discurso da Michelle de pureza na política. É perigoso”, afirmou.
Eu desliguei a TV por um segundo, só para respirar, e pensei: no bolsonarismo, nem a briga de família consegue ser simples. Começa com Michelle dando bronca em Flávio, passa por Ceará, PL, Ciro Gomes, valores cristãos, Banco Master, cinebiografia e termina com Queiroz sentado no meio da sala sem pedir licença. Sextou com a política brasileira fazendo aquilo que sabe melhor: transformar almoço de família em audiência pública.

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