Milton Cunha fez duras críticas à passagem de Virginia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio. Em entrevista ao “Blogueirinha Entrevista”, do Multishow, o comentarista classificou o desempenho da influenciadora no samba como “catastrófico, terrível, absurdo” e “impossível ritmicamente”.
Eu já estava almoçando na Praia das Maçãs, em Sintra, Portugal, e parei o garfo no meio do prato quando ouvi as aspas. Porque Milton não deu uma crítica, minhas filhas. Ele abriu a caixa de ferramentas, chamou a comissão de frente e entregou uma avaliação sem uma gota de verniz.

Questionado por alguém da plateia sobre como definiria o samba no pé de Virginia, ele não hesitou: “Catastrófico, terrível, absurdo, impossível ritmicamente, é melhor não”. Eita. A frase veio com a delicadeza de uma bateria inteira passando por cima da mesa.
Segundo Milton, os problemas começaram na apresentação de Virginia na quadra da escola, quando David Brazil teria pedido: “Samba, Virginia”. “Aí ela faz aquele passo dela e o queixo de todo mundo foi para o chão. ‘O que é isso?’. Ali a gente já viu que não tinha samba no pé”, afirmou.
Eu olhei para as amigas, depois para o mar, e pensei que o Carnaval é cruel com quem chega achando que basta brilho, fama e figurino para reinar. Rainha de bateria não é faixa de concurso, meu amor. É ritmo, convivência, presença e um corpo que entenda o surdo antes de querer aparecer na foto.
Milton disse que ainda havia esperança de que Virginia aprendesse e se aproximasse da comunidade que representaria. “Esperança de que ela virasse íntima daquela gente que ela iria representar. Isso não vem”, avaliou. Para ele, os ensaios técnicos mostraram que a influenciadora não conseguia compreender a estrutura do desfile.
Virginia anunciou sua saída da Grande Rio em uma carta nas redes sociais. “Não poupei esforços para entregar o meu melhor”, escreveu, reconhecendo que o posto exigia presença, exaustão e comprometimento. Ela afirmou ter tomado uma decisão honesta e sincera ao se despedir da função.

Eu terminei o almoço pensando que, ao menos, Virginia reconheceu o peso do cargo. E isso é mais digno do que fingir que estava tudo maravilhoso enquanto a comunidade, os ensaios e a avenida gritavam outra coisa. Não deu certo, ela saiu, e agora a escola pode seguir procurando alguém que fale samba com o corpo inteiro.