Estava na esteira aqui no Leblon quando a história me chegou pelos canais habituais, sabe aquele tipo de mensagem que faz você tropeçar no equipamento de academia? Pois é. Ed Motta, cadeira, restaurante, inquérito policial, e agora uma testemunha que já contratou advogado antes de sentar na cadeira da delegacia.
O fato: no último sábado, dia 2, o cantor Ed Motta teria arremessado uma cadeira nas dependências do restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. O caso foi registrado na 15ª DP, a da Gávea, como lesão corporal. Diogo Couto, empresário por trás do Grupo Azores, dono de cinco restaurantes cariocas entre eles o Escama e a Tasca da Henriqueta, estava na mesa com o cantor naquela noite e foi intimado a depor.


A nota da defesa de Diogo Couto é um primor de juridiquês defensivo: ele figura “estritamente na condição de testemunha”, vai se manifestar “exclusivamente nos autos do Inquérito Policial” para preservar o sigilo da investigação, e “repudia qualquer ato de violência”. Três parágrafos pra dizer que não vai dizer nada agora.
O que chama a atenção é que a testemunha chegou antes na nota oficial do que o próprio investigado. Ed Motta ainda não se pronunciou publicamente sobre a cadeira, sobre a noite, sobre o restaurante, sobre absolutamente nada. O vídeo do circuito interno do Grado já circula, mostra o arremesso, e o silêncio do cantor contrabalança com a movimentação jurídica do empresário que estava do lado.
Uma testemunha que precisa de nota oficial, advogado constituído e promessa de sigilo antes de ser sequer ouvida formalmente é, minha gente, o tipo de personagem que a trama não precisava, mas que a trama claramente já tinha.