Estava no almoço lá no Santa Teresa, desses que começam ao meio-dia e terminam às quatro da tarde com dois drinques e um monte de assunto, quando meu contato no mercado audiovisual me ligou cheio de novidade sobre o Canal Like. Oito anos de emissora, e o canal resolveu comemorar do jeito que faz sentido: com trabalho. Cinco programas novos, todos no ar, todos com apresentadores de nome e proposta editorial de verdade.
O pacote estreou dia 20 de abril e cobre um leque generoso do universo do audiovisual. “Que Horror!”, com Anne Braune, mergulha no terror com estrutura de três blocos. “Criativas”, com Maytê Piragibe, bota o protagonismo feminino no centro da análise. “Made in Brasil”, com Indira Nascimento, faz o que poucos canais têm coragem de fazer direito: valorizar o cinema nacional sem cara de obrigação patriótica. “Coadjuvantes”, com Hugo Bonemer, escova os pelos de performances secundárias que sustentam filmes inteiros. E “Estreias”, com Renato Hermsdorff, organiza os lançamentos da semana em cinema e streaming com agilidade de quem sabe o que o público quer antes que ele mesmo saiba.



O que chama atenção na jogada do Like é a consistência editorial: não é uma grade montada às pressas para marcar aniversário no press release, é uma expansão que mantém a cara do canal. A produtora executiva Myriam Porto resume bem ao falar em “aprofundamento segmentado”, e quem conhece o histórico da emissora sabe que essa linguagem de curadoria é o DNA do canal desde o começo, quando o mercado ainda nem tinha aprendido a pronunciar “conteúdo especializado” direito.
No digital, a movimentação já chegou com força. Os apresentadores ativaram suas redes, o YouTube do canal ganhou nova vitrine e a audiência especializada em cinema, que vive no Twitter e no Letterboxd reclamando que não tem onde assistir conteúdo de qualidade, foi lembrar que existe um canal inteiro dedicado exatamente a isso. O Like está disponível na Claro tv+, no Like+, na Samsung TV Plus, na LG e no YouTube, ou seja, não tem desculpa de plataforma.
Oito anos, cinco programas novos e um elenco que a concorrência olha de longe com aquela inveja educada de quem sabe que perdeu o bonde. O Canal Like cresceu sem precisar gritar, e isso, na era do conteúdo barulhento e descartável, é quase um ato subversivo.