Cheguei em Petrópolis fugindo um pouco do corre do Rio, e enquanto a cozinha vai soltando aquele cheiro bom de almoço, eu não consigo tirar uma ideia da cabeça. Estou atentadíssima pra passar o São João no Nordeste esse ano, e ai de quem tentar me segurar. Larguei a panela de lado, peguei o telefone e fui atrás de número, porque fofoqueira prendada planeja viagem com dado na mão. Foi aí que a turma da Clube Turismo me entregou o mapa da mina.
O babado é o seguinte: as festas juninas e julinas viraram um dos maiores motores do turismo doméstico do Brasil, segundo a Clube Turismo, uma das maiores redes de franquias do setor. A procura por viagem nesse período não para de crescer, puxada por gente cansada de pacote igual e doida por experiência de verdade. Os destinos mais quentes do momento são Campina Grande, na Paraíba, Caruaru, em Pernambuco, Mossoró, no Rio Grande do Norte, São Luís, no Maranhão, Aracaju, em Sergipe, e Salvador, na Bahia. E na ponta dessa fila desfilam Campina Grande e Caruaru, donas das maiores fogueiras do país.
E não é só pular fogueira, viu. A moda agora é emendar a festa com roteiro de história, comida e natureza. Quem vai pra Campina Grande aproveita e roda o interior da Paraíba, quem desce em Caruaru estica até o Alto do Moura e as cidades históricas do agreste, e ainda tem quem combine São Luís com os Lençóis Maranhenses, Salvador com o Recôncavo e Aracaju com o Cânion do Xingó. Cada tribo tem seu canto: família cai bem em Campina Grande, Caruaru, Gravatá e Aracaju, casal apaixonado se esconde em Salvador, São Luís e nas serras, e turma de amigo animada lota Campina Grande, Caruaru, Mossoró e Petrolina.

Tem dinheiro circulando nessa brincadeira também. A CEO e cofundadora da Clube Turismo, Ana Virgínia Falcão, lembra que o São João movimenta hotel, restaurante, artesão, guia e pequeno empreendedor, fortalecendo a economia das cidades que recebem a folia. O recado dela pra quem é esperto é simples: quem se organiza antes garante tarifa melhor e mais opção de hospedagem. Mas relaxa que, com data flexível ou um bom agente no pé, ainda dá pra arrumar lugar mesmo em cima da hora.
A dica de ouro da Ana Virgínia é a que mais combina comigo: largar o show grande de vez em quando, prestigiar a quadrilha do bairro, puxar papo com o morador, comer a canjica caprichada e cair de cabeça na feira de artesanato. Festa junina é dessas que fazem a gente lembrar de onde veio sem precisar de filtro nenhum. Já avisei aqui em casa que a mala vai pro Nordeste, e que ninguém me espere na fogueira do quintal esse ano.