José de Abreu usou as redes sociais para cobrar posicionamento público de artistas diante do segundo turno das eleições. O ator citou Selton Mello, Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e Danton Mello ao criticar o que classificou como silêncio diante do avanço do fascismo.
Eu ainda terminava o almoço no Cantinho Gourmet, em Sintra, com as amigas, quando dei de cara com esse puxão de orelha público. Meu amor, José não fez postagem de indireta de elevador: chamou os colegas pelo nome e botou a ausência deles no centro da conversa.
“Estou perplexo com alguns colegas que estão relutando em nos ajudar a vencer o fascismo”, escreveu. Para ele, artistas com grande alcance deveriam se manifestar sobre o momento político, mesmo sem fazer campanha explícita para Lula ou para o PT.
O nome de Selton Mello veio acompanhado de uma cobrança ainda mais direta. José lembrou o trabalho do ator em “Ainda Estou Aqui”, filme sobre a ditadura militar, e questionou: “Não é possível que uma pessoa como Selton Mello, que faz um filme a respeito da ditadura, não tenha se posicionado”.

Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e Danton Mello também entraram na lista. “Giovanna Antonelli, cadê? Carolina Dieckmann, cadê esse pessoal? Danton?”, disparou José. Aí a sala do almoço até ficou pequena, porque quando alguém puxa quatro nomes de uma vez, não é fofoca: é chamada oral.
Eu acho que ele foi cirúrgico ao separar o posicionamento partidário da defesa de valores democráticos. O ator afirmou que os colegas não precisariam falar diretamente de eleição, Lula ou PT, mas poderiam se manifestar contra o que ele chama de fascismo e contra discursos autoritários.

José ainda apontou Ana Paula Renault e Anitta como figuras públicas que, na visão dele, se posicionaram com mais clareza. A comparação deixou o recado ainda mais barulhento: para o ator, alcance não pode virar licença para se esconder quando o debate político pega fogo.
Enquanto minhas amigas fechavam a conta e eu me preparava para voltar à hospedagem em Sintra buscar as malas antes da ida para Cascais, só pensei numa coisa: José de Abreu não pediu um story com filtro de estrelinha. Ele cobrou coragem, e coragem, minha filha, não cabe em nota de assessoria.