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Kátia Flávia
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Cacique Raoni, 94, é internado na UTI em MT com quadro grave e sepse

O líder indígena foi levado às pressas para uma UTI em Sinop, a 500 km de Cuiabá, após piora súbita e suspeita de sepse ligada a pneumonia broncoaspirativa. E não é exagero dizer que metade de Brasília e Paris parou o scroll para saber desse boletim hoje.

Kátia Flávia

15/06/2026 11h53

A internação de Raoni Metuktire mobilizou lideranças, ambientalistas e autoridades no Brasil e no exterior.

A internação de Raoni Metuktire mobilizou lideranças, ambientalistas e autoridades no Brasil e no exterior.

Eu estava aqui no Cosme Velho, entre um retoque de luzes, três áudios de famoso reclamando de contrato e um convite indecente para camarote, quando o grupo dos jornalistas minimamente sérios começou a apitar ao mesmo tempo. Notificação de portal, push de aplicativo e aquele silêncio estranho no WhatsApp dos indígenas aliados: todo mundo falando da internação do cacique Raoni, aquela figura que faz presidente, cantor pop e bilionário abaixarem a cabeça quando ele entra na sala. E, minha filha, quando esse tipo de nome aparece acompanhado da palavra UTI, a gente larga até a taça de espumante.

O que se sabe até agora é o seguinte, sem firula: o cacique Raoni Metuktire, 94 anos, está internado em estado grave na UTI do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a mais de 500 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso. Ele deu entrada no hospital no domingo, depois de ser transferido de avião da região de Peixoto de Azevedo, onde vive, após passar mal no sábado e piorar de vez no dia seguinte. Os exames iniciais apontaram alteração da função renal e um processo infeccioso pesado, com a equipe trabalhando com a hipótese de sepse com foco pulmonar, ligada a uma pneumonia broncoaspirativa depois de episódios de vômito.

Nos bastidores, ninguém esquece que o corpo de Raoni já vem de uma maratona de internações recentes, suspensões de agenda e alertas médicos que soam há meses. O Instituto Raoni vive anunciando pausa em compromissos por “questões de saúde”, enquanto o Brasil segue usando a imagem dele em discurso bonito de COP e campanha publicitária eco-friendly. Aos 94, com histórico de problemas respiratórios, quadros anteriores de pneumonia e internações em UTI, o líder Kayapó é praticamente um chefe de Estado sem gabinete, que o planeta inteiro usa como símbolo, mas que agora está ali, ligado a antibiótico forte e monitorização constante.

Nas redes, o clima é de vigília digital: perfil oficial do Instituto Raoni em tom contido, mensagens de apoio de ambientalistas, artistas e políticos pingando nos comentários, e muita gente resgatando vídeos antigos dele encarando chefes de governo com aquele olhar de quem já viu a floresta sangrar mais vezes do que a timeline aguenta assistir. Tem fã de reality discutindo prova de resistência e, na aba ao lado, ativista pedindo corrente de oração, tudo no mesmo feed alucinado. E os portais, claro, atualizando boletim atrás de boletim, porque qualquer linha nova sobre o quadro clínico vira assunto em grupo de família, sala de redação e gabinete com ar-condicionado no talo.

Do meu sofá no Cosme Velho, olhando esse frenesi todo, o recado é reto: se o Brasil levasse a saúde do cacique com metade da pressa que leva empresário atrasado para aeroporto de jatinho, a gente não estaria lendo boletim de sepse como se fosse previsão do tempo. E pode anotar, porque essa coluna é fofoqueira, mas não é burra, o barulho que estão fazendo por ele hoje diz muito menos sobre consciência ecológica e muito mais sobre o medo de perder o último adulto responsável dessa festa chamada país.

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