Eu estava na academia com minhas amigas, no Leblon, fingindo que a esteira é vocação e não penitência, quando o grupo de WhatsApp começou a tremer que nem liquidificador em macarrão. Bruna Pinheiro e Jéssica de Paula tinham pousado em Guarulhos. De Madri. Na segunda à noite. Bem no olho do furacão Virginia e Vini Jr. Coincidência? Minha vizinha acredita, eu não.
As duas embarcaram da Espanha por volta das 13h no horário local e chegaram ao Brasil tentando passar despercebidas, de óculos escuros e passo rápido. Não funcionou. Pessoas no saguão as reconheceram na hora e saíram filmando discretamente, que no Brasil discreto é só um adjetivo que ninguém respeita de verdade.

Bruna garantiu nas redes que o retorno foi por compromissos profissionais ligados ao Miss Copa do Mundo, onde representa o Catar, e que uma campanha está prevista para os próximos dias. Já Jéssica jogou na mesa uma narrativa mais pesada: disse que voltou preocupada com a repercussão atingindo sua família, que recebeu ameaças nas redes e que seu perfil no Instagram foi hackeado durante a polêmica. Hackear perfil de modelo no meio de escândalo de jogador é o novo cartão de visitas do Brasil digital.

O timing das duas é o que manda recado mais alto do que qualquer nota oficial. Ficar em Madri enquanto a internet brasileira queimava seus nomes era insustentável, e a saída calculada, com justificativa profissional de um lado e vitimização legítima do outro, revela que cada uma leu o manual de crise do seu próprio jeito.

Eu saí da academia sem terminar o treino. Não por falta de disposição, mas porque fofoca dessa qualidade não espera abdominal. Bruna com campanha agendada e Jéssica com Instagram hackeado: o Brasil nunca decepciona a colunista que tem fé nele.
