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Kátia Flávia
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Black Friday: Leonardo Gurevich, da Qoros Capital, ensina como aproveitar descontos sem comprometer o orçamento

Com mais de 12 anos de experiência no mercado financeiro, empresário alerta para compras por impulso, parcelamentos e a importância de preservar o patrimônio mesmo durante as promoções

Kátia Flávia

23/10/2026 17h15

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“O dinheiro precisa ser usado como uma ferramenta para gerar liberdade e segurança para o futuro”, afirma o empresário. (Foto: Divulgação)

Com a aproximação da Black Friday, marcada para 27 de novembro, consumidores de Brasília e de todo o país começam a se preparar para aproveitar os descontos. Mas, enquanto o comércio aposta em ofertas e facilidades de pagamento, especialistas alertam para um risco comum nesta época do ano: transformar uma oportunidade de economia em um problema financeiro que pode se estender por vários meses.

Para Leonardo Gurevich, empresário e um dos fundadores da Qoros Capital, o segredo está em fazer o planejamento antes mesmo de começar a pesquisar os preços. Com mais de 12 anos de experiência no mercado financeiro, o executivo defende que consumir de forma consciente não significa abrir mão de aproveitar boas oportunidades, mas entender como cada decisão interfere na segurança financeira.

“O primeiro passo é decidir o que faz sentido comprar antes de olhar as promoções. Quando o consumidor entra na Black Friday sem uma lista e sem um orçamento, acaba deixando que a publicidade escolha suas prioridades”, explica Leonardo.

Formado em Administração pela FAAP, com pós-graduação em Finanças pelo Insper e certificação CFP, Leonardo iniciou sua trajetória no Citibank, passou por escritórios ligados à XP e decidiu empreender com a criação da Qoros Capital, que atua em parceria com o BTG. A empresa nasceu da busca por um modelo de atendimento mais alinhado às necessidades dos clientes, com foco em planejamento financeiro e construção de patrimônio.

“Nossa missão é ajudar nossos clientes a tomarem melhores decisões financeiras, com uma visão de longo prazo e soluções que realmente façam sentido para cada realidade. Queremos construir relações duradouras, baseadas em confiança e alinhamento de interesses”, afirma.

O desconto de hoje pode virar a dívida de amanhã

Segundo Leonardo, um dos principais erros dos consumidores é avaliar apenas o preço promocional, sem considerar os compromissos financeiros dos meses seguintes. O cuidado é especialmente importante neste período, quando despesas de Natal, viagens, impostos e material escolar passam a disputar espaço no orçamento familiar.

O especialista recomenda que o consumidor faça uma lista dos produtos desejados, estabeleça um preço máximo para cada item e acompanhe os valores antes da data promocional.

Outra orientação é reservar antecipadamente o dinheiro destinado às compras. Quem pretende gastar R$ 800, por exemplo, pode avaliar a possibilidade de separar R$ 200 por semana durante quatro semanas, desde que essa economia não comprometa despesas essenciais.

Caso não seja possível reunir o valor necessário, Leonardo recomenda reduzir a lista ou adiar a compra.

“A Black Friday é uma oportunidade comercial, não um prazo obrigatório para consumir”, ressalta.

Parcelamento exige atenção redobrada

As facilidades de pagamento também podem esconder armadilhas. Embora parcelas pequenas pareçam mais acessíveis, o acúmulo de compromissos pode comprometer a renda por vários meses.

“A primeira mudança é avaliar o preço inteiro do produto. Dez parcelas de R$ 200 representam uma compra de R$ 2 mil. Olhar apenas para a prestação pode fazer uma despesa parecer menor do que realmente é, principalmente quando várias compras parceladas se acumulam”, alerta Leonardo Gurevich.

Para o empresário, pagar à vista pode ser especialmente vantajoso quando existe um desconto significativo. Já o parcelamento sem juros pode fazer sentido para quem possui o dinheiro reservado e consegue manter o valor aplicado com segurança e liquidez enquanto paga as prestações.

Um produto anunciado por R$ 1 mil, por exemplo, pode ser oferecido por R$ 900 à vista ou em dez parcelas de R$ 100. Nesse cenário, o pagamento à vista garante uma economia imediata de R$ 100. Para justificar o parcelamento apenas pelo rendimento financeiro, seria necessário obter um ganho líquido superior a essa diferença, considerando também as retiradas mensais.

Por que até pessoas com renda alta compram por impulso?

Leonardo destaca que o consumo impulsivo não está necessariamente relacionado à falta de conhecimento financeiro. Estratégias comerciais que exploram a sensação de urgência podem influenciar até consumidores experientes.

Anúncios com expressões como “últimas unidades” e “oferta por tempo limitado” podem fazer com que o medo de perder uma oportunidade se sobreponha à real necessidade do produto.

O empresário observa que a relação com o dinheiro exige disciplina independentemente da renda.

“A convivência com o mercado financeiro ao longo da minha trajetória me mostrou que dinheiro precisa ser respeitado. É muito difícil conquistar e muito fácil de perder”, afirma.

Leonardo também chama a atenção para o comportamento de pessoas que mantêm um padrão de consumo elevado, mas deixam de construir reservas financeiras.

“Muitas pessoas tentam parecer bem sucedidas financeiramente mas praticamente não tem patrimônio, gastam tudo que ganham pela imagem”, observa.

Na avaliação do especialista, esse comportamento pode tornar o consumidor vulnerável a qualquer imprevisto financeiro.

Quem está endividado deve participar da Black Friday?

Para quem já possui dívidas, especialmente no cartão de crédito ou no cheque especial, Leonardo recomenda priorizar a reorganização financeira.

O especialista explica que uma promoção pode deixar de representar economia quando a compra depende de crédito com juros elevados. Por isso, produtos que não são essenciais devem ficar fora da lista de quem precisa recuperar o equilíbrio do orçamento.

Há, entretanto, situações em que aproveitar uma oferta pode ser justificável, como a substituição de um eletrodoméstico indispensável. Nesses casos, a compra precisa ser analisada em conjunto com o planejamento para quitar as dívidas existentes.

Planejar o presente sem esquecer o futuro

Para Leonardo, o consumo deve fazer parte da vida, mas não pode comprometer objetivos como a compra de um imóvel, a educação dos filhos ou a aposentadoria.

Essa visão também orienta o trabalho desenvolvido pela Qoros Capital, que busca ajudar os clientes a tomar decisões financeiras alinhadas aos seus projetos de longo prazo.

“O dinheiro precisa ser usado como uma ferramenta para gerar liberdade e segurança para o futuro”, afirma o empresário.

A recomendação é definir previamente quanto será destinado aos objetivos financeiros e organizar os gastos de consumo a partir dos recursos disponíveis.

Com a chegada da Black Friday, a principal orientação de Leonardo Gurevich é não permitir que a urgência das promoções substitua o planejamento. Afinal, uma compra realmente vantajosa não é apenas aquela que apresenta um desconto atrativo, mas a que permite ao consumidor aproveitar o presente sem comprometer a tranquilidade dos próximos meses.

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