O ministro Luiz Fux abriu a audiência pública sobre a proibição das bets no STF afirmando que sua percepção é de que as apostas online “devem ser banidas”. Ele disse que as audiências anteriores já mostraram as “consequências nocivas” do setor e classificou a ludopatia como problema de saúde pública e econômico. g1
Eu cheguei ao cabeleireiro em Laranjeiras, sentei na cadeira e avisei que queria sair dali loira, numa fase Angélica sem pedir desculpa para ninguém. Enquanto a cabeleireira separava as primeiras mechas e começava a aplicar a tintura, abri a audiência no celular. E foi Fux quem tomou conta do salão.

O ministro afirmou que o Supremo já ouviu entidades, especialistas e representantes da sociedade civil sobre dependência, endividamento, violência doméstica e danos psicológicos associados às apostas. “Ouvimos toda a sociedade, e me convenci que a ludopatia é um problema de saúde pública, econômica e deveria ser banida do cenário dos esportes nacionais”, declarou.
Eu fiquei com aquela tinta agindo e o celular na mão pensando no tamanho da frase. Porque não é um influencer dando pitaco, não é um torcedor bravo em comentário de rede social: é um ministro do STF dizendo que o negócio foi longe demais.
Fux reagiu às críticas sobre a composição da audiência, depois de Lula questionar a presença de muitos representantes de empresas e clubes interessados na volta das bets. “Não procede a alegação de que só convoquei empresas e times de futebol”, respondeu o ministro, citando a participação de órgãos do governo e da Associação Brasileira de Supermercados.
Eu pedi para a cabeleireira caprichar no loiro e continuei acompanhando. Porque a discussão está com cara de disputa sobre contrato, patrocínio e cifra, mas, do outro lado, tem família endividada, gente adoecendo e dinheiro de necessidade básica virando aposta de celular.
O ministro lembrou que o caso ainda será analisado pelo colegiado do STF e que sua opinião não encerra a discussão sobre a medida provisória. As associações de bets defendem a suspensão da proibição; o governo sustenta que a intervenção é necessária diante dos danos sociais e econômicos apontados.
Eu olhei meu reflexo com a cabeça inteira tomada de tinta e achei simbólico: enquanto eu mudava de cor, o STF discutia se o país consegue mudar de rumo. Porque, convenhamos, o Brasil já viu casa demais ser virada do avesso por uma promessa de dinheiro fácil.

Fux ainda disse que evitou concluir o julgamento anterior durante a campanha eleitoral, para não misturar o tempo da Justiça com o da política. “A paixão tem que ir no banco de trás e a razão no banco da frente”, afirmou. Eu vou ficar com essa, porque é uma frase que serve para as bets, para o futebol e para muito discurso que anda apostando alto na cegueira alheia.