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Kátia Flávia
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Astro de Grey’s Anatomy revela ter usado “todas as drogas” possíveis e passou cinco vezes pela reabilitação

Em autobiografia póstuma, Eric Dane detalhou recaídas durante a série, a dependência de analgésicos e o apoio recebido nos bastidores

Kátia Flávia

20/10/2026 13h00

Eric Dane interpretou Mark Sloan em “Grey’s Anatomy” entre 2006 e 2012

Eric Dane interpretou Mark Sloan em “Grey’s Anatomy” entre 2006 e 2012

Eric Dane, intérprete do médico Mark Sloan em “Grey’s Anatomy”, revelou em sua autobiografia póstuma que passou cinco vezes por clínicas de reabilitação enquanto integrava a série. O ator, morto em fevereiro de 2026, aos 53 anos, escreveu sobre dependência de analgésicos, recaídas e o uso de diversas substâncias ao longo da vida.

Eu já deixava a Quinta da Regaleira, em Sintra, Portugal, quando li os trechos divulgados do livro e senti o clima mudar. Porque por trás daquele personagem confiante, bonito e cheio de presença, havia um homem enfrentando uma batalha muito longe das câmeras.

“Não acho que exista uma droga que eu não tenha experimentado”, escreveu Dane em “My Book of Days: A Memoir in Moments”. Ele citou álcool, maconha, heroína, cocaína, metanfetamina, crack, analgésicos e outros medicamentos usados sem controle.

Eu entrei no carro com as amigas e fiquei em silêncio por alguns minutos. Não tem glamour possível numa frase dessas. O que ele relata não é vida desregrada para virar manchete de escândalo: é dependência, perda de controle e um homem tentando sobreviver aos próprios limites.

Dane entrou em “Grey’s Anatomy” em 2005 e viveu Mark Sloan entre 2006 e 2012. Segundo seu relato, depois de um período em que conseguiu manter o consumo sob controle, uma hérnia de disco cervical sofrida durante treino abriu caminho para uma nova crise com medicamentos e drogas.

O ator escreveu que tentava não chegar ao trabalho sob efeito de substâncias, mas admitiu que nem sempre conseguia. “Eu tento não ir trabalhar chapado, essa é minha regra, meu compromisso inegociável comigo mesmo, mas algumas vezes não consigo evitar”, confessou.

Eu olhava pela janela, vendo Sintra ficar para trás, e pensava no tamanho da coragem necessária para deixar isso registrado. A dependência não escolhe profissão, rosto ou fama. E, muitas vezes, o que o público chama de sumiço, mudança de humor ou comportamento estranho é uma pessoa pedindo socorro sem conseguir dizer.

Shonda Rhimes, criadora da série, teria oferecido apoio ao ator em diferentes momentos. Dane contou que os colegas não o julgavam, mas demonstravam preocupação, e que buscou tratamento durante pausas das gravações. Ainda assim, sentia que precisava encerrar seu ciclo como Mark Sloan.

Eu não vejo essa história como fofoca, vejo como um retrato duro de alguém que teve êxito profissional enquanto travava uma guerra íntima. Eric morreu após enfrentar esclerose lateral amiotrófica, a ELA, e o livro também fala da presença de Rebecca Gayheart, ex-mulher e mãe de suas duas filhas, durante a doença.

“My Book of Days: A Memoir in Moments” chega às livrarias em 3 de novembro. E eu acho que, mais do que revelar bastidores de “Grey’s Anatomy”, a obra deixa uma lembrança dolorosa: ninguém sabe o que acontece de verdade quando as luzes do estúdio se apagam.

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