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Kátia Flávia
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Após receber R$ 17,7 milhões, Virginia nega contato com amigo de Flávio Bolsonaro investigado pela PF

Influenciadora afirma que não conhece Willer Tomaz e diz que os pagamentos recebidos pela Talismã Digital foram por campanhas publicitárias contratadas

Kátia Flávia

06/11/2026 16h33

Virginia Fonseca afirmou que não conhecia Willer Tomaz nem manteve contato com o advogado

Virginia Fonseca afirmou que não conhecia Willer Tomaz nem manteve contato com o advogado

Virginia Fonseca afirmou, por meio de seu advogado, que não conhece nem manteve qualquer contato com Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio Bolsonaro investigado sob suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligadas ao mercado de bets. A manifestação veio após a revelação de que a AMP Pay, empresa atribuída a Willer pela Polícia Federal, repassou R$ 17,7 milhões à Talismã Digital entre março e setembro de 2024.

Com o cabelo já seco e dois pares de brincos separados sobre a penteadeira, eu parei nessa cifra porque R$ 17,7 milhões não é valor que se lê correndo enquanto passa rímel, minhas filhas. É dinheiro demais para uma história que exige explicação em letra grande e documento na mesa.

Em nota, o advogado Sanderson Mafra declarou que “o senhor Willer Tomaz não figura como parte em qualquer contrato celebrado por Virginia Fonseca”, acrescentando que a influenciadora “não o conhece e jamais manteve com ele qualquer contato ou tratativa”.

A defesa de Virginia afirmou que os pagamentos remuneraram campanhas publicitárias devidamente contratadas, sem detalhar quais ações foram realizadas. Na época das transferências, a empresária fazia publicidade para a Blaze, plataforma que aparece no radar da investigação da PF sobre possíveis ligações comerciais, societárias ou operacionais com Willer.

Eu fui testar o tom do batom e pensei: uma coisa é a influenciadora dizer que não conhecia o homem apontado como sócio ou acionista da empresa pagadora. Outra é a empresa ligada a ele ter enviado cinco Pix milionários à companhia dela. Não é acusação automática contra Virginia, mas é o tipo de coincidência que faz qualquer pessoa perguntar de onde veio, para qual campanha foi e quem assinou o cheque.

As movimentações chamaram a atenção do Banco Santander, que considerou os repasses suspeitos e comunicou o Coaf. A AMP Pay estava registrada no Simples Nacional, regime destinado a empresas com limite anual de faturamento de R$ 4,8 milhões, embora tenha transferido valores muito superiores à Talismã Digital no período apontado.

A investigação trabalha com a hipótese de que a AMP tenha sido usada como empresa de fachada, tese que ainda será analisada pelas autoridades. Willer é investigado, e Flávio Bolsonaro também aparece na apuração; ambos têm direito à defesa. Virginia, por sua vez, não foi acusada de crime no material divulgado e sustenta que recebeu por publicidade contratada.

Enquanto escolho entre o brinco dourado e o de pedra, meu veredito é simples: resposta pública era indispensável, mas a história ainda pede transparência. Porque quando uma empresa cercada de perguntas movimenta milhões para uma celebridade, a internet pode até gritar, mas quem precisa falar mesmo são os papéis.

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