Estava na academia no Leblon, entre um exercício e outro, quando uma das amigas chegou com a notícia na ponta da língua. Anderson Neiff, o rei do brega funk, tinha levado um tiro na noite anterior em São Paulo e acabava de receber alta do Sírio-Libanês. Conversa de academia parou, séria de verdade.
Anderson tinha 24 anos e um show encerrado no Titio Lounge, Jardim São Luiz, Zona Sul paulistana, quando a van da equipe saiu por volta das 5h30 e percebeu que estava sendo seguida por motociclistas. A perseguição durou cerca de dez quilômetros. Na Avenida Nove de Julho, parados no trânsito, cinco ou seis tiros acertaram o veículo. Um pegou o cantor no ombro. O motorista acelerou, fugiu, e Anderson chegou ao Sírio-Libanês consciente. A cirurgia foi bem-sucedida e ele recebeu alta ainda na noite de domingo.



Em entrevista ao Fantástico, Anderson descreveu a sensação do impacto como um murro de cinquenta quilos nas costas, relatando que no terceiro disparo já havia caído para frente dentro da van. A lataria e os bancos perfurados confirmam a violência da abordagem. O artista é o único ferido confirmado.
O que a polícia investiga agora é o ponto de origem do ataque, e aí o enredo complica. Segundo o boletim de ocorrência, durante o show houve uma briga entre um casal: um homem teria se incomodado com a mulher olhando insistentemente para a banda. Os integrantes disseram à polícia que esse foi o único episódio fora do comum na noite e negaram qualquer envolvimento criminoso. A Polícia Civil requisitou perícia na van e trabalha para identificar os autores.
Anderson Neiff saiu do Ibura, na Zona Sul do Recife, começou dançando aos 16 anos, virou fenômeno do brega funk e construiu carreira independente nas redes. Chegou ao Sírio-Libanês num domingo de madrugada com bala no ombro por causa de ciúme de show. A fama tem endereço bonito e às vezes uma saída muito feia.