Eu acordei em Nova York hoje minha filha com o barulho de sirene lá fora e um pagode dentro da cabeça porque o nome de Alexandre Pires simplesmente não sai do meu celular. Entre café aguado de hotel e arrumação de look para ir ao jogo Brasil e Noruega o que aparece para mim é o seguinte resumo da vida real do homem ele comprou uma fazenda milionária achando que estava garantindo o futuro no campo e agora tem uma disputa pesada batendo na porta da justiça. É aquele momento em que a pessoa quer só ouvir gado mugindo e recebe intimação em vez de vento no pasto.
O cenário é o interior do Brasil fazenda enorme dessas que influencer posta em vídeo de drone com legenda falando de paz e investimento enquanto o sol bate bonito no capim. Alexandre foi lá botou dinheiro sério na jogada virou proprietário de área rural que vale alto e se enxergou como novo fazendeiro da turma dos artistas investidores. Só que junto dessa compra vem o pacote que ninguém mostra no Instagram o sócio que se sente deixado de lado cobra participação reclama que não foi chamado para o banquete e leva a história direto para o mundo dos processos. A fazenda continua existindo firme linda fotogênica mas com um clima de reunião de condomínio eterna na parte jurídica.
Eu aqui em Nova York ajeitando meu ingresso para o MetLife Stadium penso no contraste delicioso. De um lado o Brasil se preparando para enfrentar a Noruega torcida enlouquecida gritando o nome de jogador e fazendo conta de gol e classificação de outro lado Alexandre Pires contando hectare e valor de causa. Enquanto o mundo olha para o placar do estádio tem gente lá no interior olhando para o placar da justiça vendo quem ganha quem perde quem sai devendo. É o tipo de enredo que faz a Kátia cronista pirua chegar no jogo mais interessada em falar de fazenda do que de esquema tático.