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Kátia Flávia
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“A reconstrução não termina nunca”: o desabafo de Christiane Torloni 35 anos após morte do filho

Atriz relembrou a perda de Guilherme, morto aos 12 anos, e contou como precisou reaprender a viver todos os dias

Kátia Flávia

25/08/2026 8h47

Christiane Torloni relembrou a morte do filho Guilherme, em 1991

Christiane Torloni relembrou a morte do filho Guilherme, em 1991

Christiane Torloni voltou a falar sobre a morte do filho Guilherme, em 1991, aos 12 anos, após um acidente de carro na garagem de sua casa. Aos 69, prestes a completar 70, a atriz disse que a dor nunca se encerrou e que recuperar o sentido de seguir vivendo foi um processo delicado e diário.

Eu estava na papelaria em Laranjeiras, com um caderno novo aberto nas mãos, escolhendo entre capa azul e vermelha, quando li a entrevista. Fechei o caderno devagar. Tem notícia que não pede piada, não pede pressa e não deixa ninguém pensando em lista de compromisso.

 Atriz afirmou que reconstruir a vida após a perda foi um processo diário
Atriz afirmou que reconstruir a vida após a perda foi um processo diário

Guilherme era filho de Christiane com o diretor Dennis Carvalho. Mais de três décadas depois da tragédia, ela afirmou que enfrentou “a maior provação de uma mãe” e resumiu a própria luta para continuar: “todos os dias assino meu leasing com a vida”.

A atriz contou que, naquele período, recebeu cartas e mensagens de pessoas próximas e de desconhecidos. O afeto, segundo ela, foi fundamental para atravessar dias em que havia um risco real de desistir de tudo.

Eu devolvi o caderno para a prateleira e fiquei um instante parada entre as canetas. Porque é impossível medir o tamanho de uma dor assim. O público conhece Christiane pela força de personagens como Diná, pelas novelas, pelo palco e pela voz firme. Mas existe uma vida inteira que continua depois que a câmera desliga, e algumas feridas não obedecem calendário.

Hoje, ela está em cartaz no Rio com a peça Dois de Nós, ao lado de Antonio Fagundes. A personagem que interpreta também enfrenta um grande impacto emocional, e Christiane reconhece que sua própria trajetória cria uma ligação profunda com o papel.

Além do teatro, a atriz encontrou no surfe uma forma de respirar diferente. Disse que o mar “regenera” e que está aprendendo a ler as ondas. Aos quase 70, também rebate o etarismo e fala da maturidade como fase de liberdade, desejo e descoberta.

Christiane está em cartaz no Rio com a peça Dois de Nós, ao lado de Antonio Fagundes
Christiane está em cartaz no Rio com a peça Dois de Nós, ao lado de Antonio Fagundes

Saí da papelaria com o caderno azul debaixo do braço e fui andando para o pilates em silêncio. Christiane Torloni não falou sobre superação como quem fecha uma porta. Falou sobre sobreviver como quem abre a mesma porta todos os dias, mesmo quando a vida cobra uma coragem que ninguém deveria precisar encontrar.

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