Anitta foi chamada para ser conselheira de Estrela da Casa, mas apareceu na estreia do reality como quem tinha acabado de receber a senha do grupo da produção. Ao avaliar um dos grupos, ela questionou os figurinos usados pelos participantes: “Entendo a proposta de ser um grupo jovem, para a galera jovem, mas a gente também não precisa se vestir como 15 anos. A gente pode se vestir como adultos”.
Deixei o celular em cima da cama, enfiei um braço na camisa de linho branca e fiquei parada no outro, porque essa frase merece pausa. Anitta não criticou uma roupa isolada. Ela olhou para um grupo inteiro, para a proposta visual do programa e disse, na televisão aberta, o que normalmente aparece em áudio de cinco minutos depois que o ensaio acaba.
E não foi só o figurino. Ao comentar uma apresentação, a cantora apontou que a produção musical estava alta demais nos trechos graves e prejudicava a audição das vozes. “Quando eram os tons baixos, a gente não conseguiu ouvir eles tanto”, observou, lembrando que o público precisa distinguir os participantes porque a votação é individual.

Aí veio a pergunta que virou corte, meme e reunião imaginária de figurino: por que adultos estavam vestidos como adolescentes de 15 anos? A plateia reagiu, os participantes riram e Anitta seguiu em frente sem pedir licença. Não tinha bronca gratuita. Ela estava falando de imagem, identidade artística e de um grupo que precisa ser levado a sério.
Eu abotoei a camisa e pensei que era exatamente por isso que colocaram Anitta ali. Ela não entra para dizer que todo mundo foi “incrível” enquanto a voz desaparece debaixo do instrumental e o artista parece ter saído de uma gincana escolar. Ela entra para falar do que funciona e, principalmente, do que não funciona.

A sinceridade da cantora dividiu reações. Muita gente resgatou o apelido “Anitta do Velho Testamento”, usado quando ela entrega opinião sem embalagem. Sonia Abrão, por outro lado, avaliou que a artista teria criado um personagem para causar e comparou a postura a uma versão de Susana Vieira.
E Anitta ainda foi além: aconselhou os participantes a estabelecerem limites quando recebessem propostas que não combinassem com eles. Em outras palavras, não era só sobre um look rosa ou uma mixagem alta. Era sobre artista não aceitar tudo em silêncio só porque a produção decidiu.
Terminei de fechar os botões, prendi o cabelo e fui procurar um brinco. Porque agora eu já sei: se eu aparecer com uma roupa de 15 anos, alguém no grupo vai ter obrigação moral de me mandar o vídeo da Anitta. E, sinceramente, vai estar certo.