Eu estava numa reunião, gente. Reunião séria, com planilha, gráfico e um homem de gravata falando em “alinhamento estratégico”. E eu só pensando no baobá! Até que o celular vibra em cima da mesa. Mensagem de uma amiga lá de dentro: “Kátia, o Tonho vai puxar a adaga”. Pronto. Acabou a reunião pra mim. Pedi licença, disse que tinha um compromisso inadiável e saí correndo pro Cosme Velho. Compromisso inadiável, sim senhor: é o final de A Nobreza do Amor! Já estourei a pipoca, coloquei o guaraná na geladeira, tirei o telefone do gancho e avisei o porteiro que, se pegar fogo no prédio, ele espera o último capítulo acabar pra me chamar.
Agora senta que é muita coisa! A guerra por Batanga chega ao confronto final e Jendal, ferido por Omar, ainda tem a cara de pau de tentar atacar Alika. Ferido, sangrando, derrotado, e o homem ainda quer briga! É aí que Tonho entra em cena, vai até o baobá e retira a adaga sagrada, coisa que só um descendente do rei Shaka conseguiria fazer. Isso mesmo, minha filha: o Tonho tem sangue real! Com a adaga na mão, ele derrota o ditador e acaba de vez com o domínio de Jendal sobre Batanga. Enquanto isso, em Barro Preto, Mirinho descobre que Virgínia mentiu sobre a paternidade do bebê. O filho é de Sebastião! Mirinho rompe com ela na hora e decide recomeçar a vida cuidando dos próprios negócios. E tem mais: Diógenes assume publicamente que é pai de Ritinha. Marta fica orgulhosa do homem e os dois fazem as pazes. Lavou a alma da família inteira!

No meu prédio, ninguém fala de outra coisa. A dona do 101 jura que chorou só de ler o resumo. A do 205 já mandou no grupo uma montagem do Tonho com a adaga, com legenda de rei Arthur do sertão. E o meu porteiro, que sabe mais do que muito diretor, me disse hoje de manhã: “Dona Kátia, eu sempre soube que esse menino era especial”. Sempre soube nada, ele descobriu junto com todo mundo! Mas eu entendo, porque final de novela é isso: todo mundo vira profeta depois que o capítulo vai ao ar. Lembra quando o Brasil inteiro parou pra saber quem matou Odete Roitman em Vale Tudo? Ou quando a Carminha caiu do cavalo em Avenida Brasil? É esse o tamanho da coisa. Final é Copa do Mundo, e quem não assiste fica sem assunto no cafezinho da firma.

Agora vamos falar sério. Lázaro Ramos fez um Jendal tão odioso, mas tão odioso, que eu tive vontade de entrar na televisão e dar com a vassoura nele mais de uma vez. Isso é elogio, viu? Vilão bom é aquele que faz a gente xingar a tela. Duda Santos, com essa Alika guerreira, merece aplauso de pé. E Ronald Sotto, com o Tonho, saiu de coadjuvante e virou rei, que é exatamente o tipo de reviravolta que me faz amar novela! Agora, Virgínia… Ah, Virgínia. Mentir sobre a paternidade de uma criança? Em pleno final? Essa aí foi desmascarada, perdeu o noivo e a dignidade de uma vez só, do jeitinho que eu gosto. E Mirinho, que passou a novela inteira sendo feito de bobo, finalmente acordou. Antes tarde do que nunca, meu filho! Vai cuidar dos teus negócios e não olha pra trás.
Meu veredito: Batanga livre, Tonho coroado de herói, Alika em paz e Marta abraçada com o Diógenes, que finalmente fez o que pai de verdade faz. Ritinha merece esse orgulho todo! Quem quebrou a cara foi Jendal, que caiu do trono, e Virgínia, que caiu da própria mentira. Eu aposto que vai ter muito choro na despedida e muito bordão ecoando nas redes até o fim de semana. E você, vizinha, trata de passar o café, porque hoje e amanhã ninguém sai do sofá. Final de novela não se perde. Se assiste, se chora e se comenta até a próxima estreia!