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Cinema

52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: os necessários tons de militância

Leonardo Resende

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O cinema sabe percorrer inúmeras vias de reflexão. Nessa jornada, é possível criar um canal de protestos dentro de qualquer gênero. No DNA de um festival de cinema, esse caráter (necessário) de engajamento é ainda maior.

Por isso, na quarta noite da 52º edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, dentro da Mostra Competitiva, os filmes Pelano!, de Calebe Lopes e Christina Mariani e O Mês que não Terminou, de Francisco Bosco e Raul Mourão utilizam desse recurso para retratar pautas importantíssimas para o Brasil.

Pelano! utiliza  referências – tanto técnicas quanto de roteiro – para mostrar um nordeste arcando com as consequências de um governo displicente com questões ambientais: ninguém deve sair na rua, devido ao furo da camada de ozônio, as pessoas estão sofrendo combustão espontânea ao enfrentar os raios diretos do sol.

Curiosos são os adereços dos diretores ao utilizar as ruas como uma via de protestos, onde as pessoas – por conta da intercorrência ambiental – não podem transitar, fazendo uma clara analogia ao governo Bolsonaro que adora flertar com a censura em qualquer tipo de manifestação. “Este é um filme que fizemos para que a censura não seja naturalizada e esquecida”, destaca Calebe Lopes momentos antes da exibição do filme.

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Com um final interessante, Calebe e Christina apropriam de referências cinematográficas relevantes para criar a infernal e literal atmosfera do curta-metragem.

Uma cova mais funda

Seguindo a programação de exibições, a quarta noite teve seu encerramento com o documentário controverso O Mês que não Terminou. Ao lado de Raul Mourão, Francisco Bosco – que também escreveu o roteiro do título – fizeram uma exposição de dados, conceitos e protestos sobre o que as manifestações culminaram nos dias de hoje.

Foto – Divulgação

Narrado por Fernanda Torres, Bosco utilizou uma linguagem didática e poética para expressar os acontecimentos de 2013 que desaguaram na eleição de Jair Bolsonaro.

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Sendo reflexo oposto de A Democracia em Vertigem, onde Petra Costa assume um lado, Bosco e Mourão seguem a imparcialidade em relatos de economistas, cientistas políticos, filósofos e psicanalistas, o que gerou desconforto em muitos espectadores durante a exibição.

“Este filme é uma maneira de refletirmos sobre como poder fazer diferente, não colocando tudo no mesmo saco. Para que a gente possa recuperar uma base de uma sociedade brasileira, voltando para um campo mais civilizado. Esse filme é um esforço de  estabelecer conversas entre campos diferentes, para retomar uma frente democrática”, enfatizou Bosco.

A narração não é a única que sofre de reflexos poéticos de Bosco. Paralelamente aos relatos, imagens retiradas da internet, Bosco e Mourão utilizam muitas imagens metafóricas que dão maior destaque para as falas o que resulta em um longa-metragem urgente, denso e necessário.

Mesmo que tenha uma natureza controversa – afinal, ele não assume nenhum víes político (seja ele esquerda ou direita) – ainda sim é de extrema importância para o debate político brasileiro, assumindo uma tonalidade honesta de militância.

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Por Leonardo Resende

@leonard0resende




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