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Alec Baldwin apontava para a câmera arma que disparou e matou Halyna Hutchins, segundo depoimento

O diretor, que foi ferido no tiroteio, disse aos investigadores que acreditava que a arma era segura e que havia sido descrita como uma “arma fria” nos anúncios de segurança de armamentos de fogo

Alec Baldwin estava ensaiando uma cena em que apontava um revólver “na direção da lente da câmera” quando a arma – que foi informada à equipe de filmagem não conter balas – disparou de repente e atingiu a diretora de fotografia Halyna Hutchins, segundo relato do diretor do filme Joel Souza, cujo depoimento foi divulgado na noite de domingo, 24.

Souza descreveu ter ouvido o que “soou como um chicote e depois um estalo alto”. O relato de Souza explica o motivo de Baldwin estar apontando a arma para a câmera de Hutchins. Mas não respondeu à pergunta de como uma arma que não deveria conter munição real acabou matando-a com um tiro no peito.

O diretor, que foi ferido no tiroteio, disse aos investigadores que acreditava que a arma era segura e que havia sido descrita como uma “arma fria” nos anúncios de segurança de armamentos de fogo.

Ele disse que as armas no set do filme eram normalmente verificadas por uma responsável, Hannah Gutierrez-Reed, e depois checadas novamente por Dave Halls, diretor assistente, que as entregaria aos atores.

Na quinta-feira, depois de se preparar para a cena no cenário de uma igreja, Souza disse que houve uma pausa para o almoço e a equipe foi levada de ônibus para outro lugar para comer. Ele disse que todos voltaram ao set após o almoço, mas que “não tinha certeza se a arma de fogo foi checada novamente”.

Os novos detalhes, que surgiram quando o Gabinete do Xerife do Condado de Santa Fé divulgou os depoimentos usados para obter um mandado de busca, forneceram o relato mais completo do tiroteio mortal, que ocorreu na tarde de quinta-feira em um set fora de Santa Fé.

Baldwin estava sentado em um banco de madeira da igreja, ensaiando uma cena que envolvia o “desenho de uma cruz” com um revólver e apontava-o para as lentes da câmera, disse Souza, em depoimento.

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Souza disse que estava ao lado de Hutchins “vendo o ângulo da câmera”.

O diretor relatou ter visto Hutchins agarrando sua barriga e começando a cambalear para trás. Então ele percebeu que estava sangrando no ombro. Os detalhes, conseguidos pelo detetive Joel Cano, em um pedido de mandado de busca para apreender material para investigação, desde cartões de memória de câmera a fragmentos de ossos e descarga de arma de fogo, fornece um relato assustador daquele tiroteio fatal em um set de produção que foi marcado por disparos acidentais de armas e disputas trabalhistas entre produtores e equipe membros. O mandado foi concedido.

“Durante a conversa, observei uma lesão visível em seu ombro direito”, disse Cano no depoimento, descrevendo como havia entrevistado Souza na tarde de sexta-feira, após o diretor ter recebido alta do hospital. Hutchins, que sofreu um ferimento à bala na região do peito, já havia sido declarada morta na quinta-feira no Hospital da Universidade do Novo México em Albuquerque.

Bastidores


Souza estava lutando com atrasos no dia da filmagem, depois que cerca de seis membros da equipe de filmagem se demitiram por causa de atrasos no pagamento e condições de segurança, disse no depoimento.

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Outra equipe foi rapidamente contratada, mas a produção foi atrasada devido a problemas de mão de obra.

Souza disse que apenas uma câmera estava disponível para gravação antes do tiroteio. Questionado sobre “o comportamento dos funcionários”, ele afirmou aos investigadores que “todos estavam se dando bem” e que não havia “problemas” que ele soubesse.

A declaração também inclui depoimento de Reid Russell, também cinegrafista e que estava perto de Hutchins e Souza quando a arma disparou. Russell disse ao detetive que, depois de voltar do almoço para o set, saiu por cerca de cinco minutos; quando voltou, segundo seu depoimento, Baldwin, Hutchins e Souza estavam montando a cena e o ator já estava “de posse da arma”.

Russell disse não ter certeza se a arma de fogo foi inspecionada porque ele esteve ausente naqueles cinco minutos. Segundo ele, Halls tirou o revólver de uma bandeja cinza de duas camadas montada por Gutierrez-Reed, entregou-a a Baldwin e gritou “arma fria” que, em um set de filmagem, normalmente se refere a uma arma descarregada.

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Durante a montagem da cena, a equipe teve de reposicionar a câmera porque havia uma sombra. Russell disse ao detetive que Baldwin estava explicando como ele iria sacar a arma, puxando-a do coldre, quando a arma disparou.

Russell disse que Baldwin foi “muito cuidadoso” com a arma – durante uma cena anterior, afirmou, o ator tentou garantir a segurança no set, certificando-se de que nenhuma criança estivesse perto dele quando fosse disparar a arma. Questionado sobre como os membros da equipe de produção estavam se comportando enquanto montavam a cena, ele disse que “todos pareciam estar se dando bem”.

Souza, o diretor, disse ao detetive que, como a equipe estava montando a cena quando a arma disparou, o incidente não havia sido filmado. Depois que a arma de fogo foi descarregada, Russell disse ao detetive que “lembrava de Joel tendo sangue em sua pessoa, e Hutchins falando e dizendo que ela não conseguia sentir as pernas”.

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Estadão Conteúdo

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