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A Guerra Fria no Brasil, em forma de romance

Murilo Prado Badaró lança amanhã o livro Bastidores de 1964 – Detalhes não revelados do “Golpe”, que mescla ficção a fatos históricos

Lindauro Gomes

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Rudolfo Lago
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Após a Segunda Guerra Mundial, especialmente na década de 1960, a cultura pop no mundo, nos romances e filmes de espionagem de personagens como 007 estava lotada de vilões que queriam dominar o mundo. Não era, porém, nada gratuito. O ambiente desses romances e filmes refletia o que, de fato, acontecia em um planeta dividido ao meio pelo conflito entre os blocos liderados pelos Estados Unidos e pela União Soviética. Ambos, com o propósito imperialista de, como os vilões das histórias de espionagem, dominar o mundo. É o período que a história batizou de Guerra Fria. O Brasil, evidentemente, não ficou fora desse contexto.

O romance Bastidores de 1964 – Detalhes não revelados do “golpe”, que o escritor Murilo Prado Badaró lança amanhã às 19h30 no restaurante Carpe Diem, traz esse contexto da Guerra Fria para o Brasil que antecedeu ao golpe militar de 31 de março de 1964. Bem longe, porém, das licenças ficcionais das histórias de espionagem de 007 e muito mais próximo da realidade.

É um estilo que já utilizei em outros livros que escrevi. Crio um personagem de ficção que ajuda a alinhavar os fatos e documentos históricos reais que descrevo. Uma forma de fazer uma literatura mais agradável do que seria se fosse apenas um relato histórico”, explica, ao Jornal de Brasília, Badaró.

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Assim, o personagem ficcional de Bastidores de 1964 é um jornalista encarregado de investigar os financiamentos e interferências dos países estrangeiros movidos pela Guerra Fria nos acontecimentos brasileiros que acabam por desaguar no golpe militar. A história desenrola-se, então, apresentando fatos, documentos e personagens reais. Documentos – muitos inéditos – aos quais Badaró teve acesso e pesquisou. Personagens que ele entrevistou. Ao final, Badaró mostra que as ações das tropas do general Mourão Filho, que marcharam de Minas Gerais para o Rio de Janeiro para tomar o poder e instituir mais tarde a ditadura militar que se instalou no país até 1985, não foram uma ação isolada baseada somente na luta política interna. Mas um acontecimento totalmente inserido na disputa planetária da Guerra Fria.

“A Guerra Fria aconteceu aqui”, explica Badaró. Nesse sentido, o misto de romance e documento do escritor mineiro traz uma visão polêmica do golpe militar. Em diversos aspectos, defende o romance, ele foi, na verdade, um contragolpe.

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“O mundo vivia um momento agudo da Guerra Fria, com a morte do presidente americano John Kennedy, a união entre a China de Mao-Tsé-Tung e a União Soviética de Nikita Krushev, a crise da Baía dos Porcos, em Cuba”, explica. “Naquele momento, os dois lados na disputa intensificavam seus papeis no restante do mundo. O golpe no Brasil iria acontecer, vindo de um lado ou de outro”.

Arquivos da KGB

O livro mostra, então, o papel que o bloco de esquerda comandado pela União Soviética exercia também nesse sentido. Ao estimular e financiar, por exemplo, segundo o livro, o Grupo dos Onze, do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. A ideia de Brizola era formar células de onze pessoas espalhadas pelo país para apoiar o governo João Goulart e um ideário de esquerda. Boa parte da sustentação para tais trechos do livro estão nos arquivos da KGB – o serviço de inteligência soviético – abertos em 2017. Segundo Badaró, no caso brasileiro, não era exatamente a KGB que estava presente. Mas o serviço secreto da Tchecoslováquia, StB.

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Murilo Prado Badaró é filho de Murilo Badaró, político, advogado e escritor mineiro, que foi ministro da Indústria e Comércio no governo João Figueiredo. Murilo Badaró foi o biógrafo de diversas importantes personalidades da política de Minas Gerais, como José Maria Alckmin, Milton Campos e Gustavo Capanema.

“Foi em 2010, quando meu pai escreveu a biografia de Bilac Pinto, que me chamou a atenção pela primeira vez o aspecto de 1964 como contragolpe”, conta Badaró.

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O romance que será lançado amanhã inicia-se no enterro de Getúlio Vargas e termina no dia em que o general Mourão Filho move suas tropas para o Rio. O que aconteceu depois, sucumbindo o país a mais de 20 anos de regime militar, não faz parte dessa história.




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