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52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: Um ensaio sobre junho de 2013

Longa O mês que não terminou será exibido hoje à noite como parte da Mostra Competitiva

Lindauro Gomes

Publicado

em

Foto: Mídia Ninja
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Larissa Galli
[email protected]

O emblemático mês de junho de 2013 — marcado por protestos políticos em todo o Brasil — é tema de investigação do documentário O mês que não terminou, dirigido por Francisco Bosco e Raul Mourão, que será exibido na noite de hoje da Mostra Competitiva do 52º Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro.

O filme — primeiro longa-metragem de Bosco e Mourão — estreou mês passado na 43ª Mostra de Cinema de São Paulo e será exibido hoje, às 20h30, no IFB Recanto das Emas, no Complexo Cultural de Planaltina e no Complexo Cultural de Samambaia com entrada gratuita; e às 21h, no Cine Brasília (106/107 Sul), com ingressos a R$ 10 (meia).

A partir de análises de ativistas, cientistas políticos, filósofos, psicanalistas e economistas, o filme busca investigar o recente processo político, social e cultural do Brasil. “Nós partimos da premissa, óbvia para muitos, de que tudo o que aconteceu na experiência política e social do país nesses últimos seis anos remonta aos atos de junho de 2013”, conta o codiretor Francisco, em entrevista ao Jornal de Brasília. “Então procuramos compreender as causas, locais e globais, das jornadas de 2013 […] Em seguida abordamos a Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, a organização das novas direitas, a prisão de Lula e, finalmente, o colapso do centro, cujo espólio foi recolhido por essa ultradireita bolsonarista”, resume.

Em uma espécie de filme-ensaio, que foge da estrutura tradicional dos documentários — com a narração sobre imagens de arquivos —, o longa também é permeado por obras de videoarte contemporâneas, escolhidas pelo codiretor e artista plástico Raul Mourão, que complementam a reflexão sobre os fatos. “O filme, no meu modo de ver, é verbalmente e imageticamente denso, mas isso é equilibrado por certa linearidade estrutural. No fim das contas, é um filme complexo, mas não ‘experimental’, no sentido vanguardista da palavra. Ao contrário, é estável e muito claro”, pontua Bosco.

Segundo o cineasta, o longa também traz uma problematização de algumas premissas que os campos políticos-ideológicos antagônicos têm como certezas. “Interessa-nos muito, por exemplo, fazer distinções entre liberais moderados e ultraliberais; entre conservadores moderados e reacionários; e entre uma esquerda sectária e uma centro-esquerda mais arejada”, explica.

A ideia de destrinchar os acontecimentos desde 2013 até a atualidade surgiu a partir de um ensaio que Francisco Bosco — que também assina o roteiro da obra — publicou no jornal Folha de S.Paulo, quando as manifestações completavam cinco anos. “Julio Worcman, diretor do canal Curta!, leu o texto e me convidou a transformá-lo em documentário. Achei oportuna a possibilidade de desenvolver as hipóteses ali avançadas e testá-las por meio das entrevistas que fiz para o filme. Naturalmente, essas entrevistas transformaram as minhas perspectivas”, conta.

“Em se tratando de um filme sobre a experiência social e institucional do Brasil nos últimos anos, exibi-lo em Brasília tem certamente um significado especial. Além disso, trata-se do mais tradicional festival de cinema do país. Espero uma recepção bastante politizada do filme”, declarou Bosco.

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Curtas e paralelas

Os curtas-metragens que abrem a noite da Mostra Competitiva são Parabéns a você, de Andréia Kaláboa; e Pelano!, de Christina Mariani e Calebe Lopes. O festival também segue com a programação das mostras paralelas Vozes, Território Brasil, Novos Realizadores e a Mostra Brasília BRB de Cinema, a partir das 10h no Museu Nacional da República e a partir das 15h no Cine Brasília, sempre com entrada gratuita.




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