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Economia

Mais de 600 mil famílias brasilienses estão com dívida, diz estudo

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostra aumento de 55,2% para 60,5% no prejuízo entre junho e julho

Pedro Marra

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O endividamento das famílias brasilienses registrou leve aumento no mês de julho, em comparação com junho. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Fecomércio-DF. Isso significa que 60,5% das famílias brasilienses estão endividadas, ante 55,2% registrado em junho. No mesmo período do ano passado, a taxa de endividados era de 81,2%. Já o montante de contas em atraso registrou aumento: passou de 127.830 mil famílias para 134.776 mil.

Entre as modalidades de endividamento, o estudo revela que 9,2% dos entrevistados estão muito endividados nas seguintes modalidades: cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, seguros, empréstimo pessoal e prestações de carro. Entre os mais ou menos endividados, estão 21,2%; 30% se consideraram pouco endividados; 39,2% disseram que ainda não têm dívidas desses quesitos.

Mas o maior motivo das dívidas de famílias brasilienses é o uso do cartão de crédito. Segundo a Peic, 74,3% passam por esse problema, logo atrás vem os que fazem financiamento de casa (21,8%) e os que acumulam dívidas com carro (19,7%). Sobre a duração da dívida, 45,6% alegam estar comprometidos há mais de um ano.

O técnico administrativo da Secretaria de Saúde, Tiago Almeida, 33 anos, é um exemplo de quem está endividado com carro. Ele conta que parou de gastar dinheiro com compras não urgentes, mas por motivo de força maior. Nos últimos dois meses, o rapaz acumulou uma dívida de R$15 mil na compra de um carro antigo, um Mitsubishi Lancer GLX 97, veículo que ainda passou por uma reforma. “Troquei a pintura, suspensão, painel, troca de fluídos, filtros e correias. Precisei cortar lanches de fora e compras desnecessárias. Tenho até feito trabalhos de edição de vídeo e lives em redes sociais para ter uma renda extra. Meu erro antigo era comprar muita comida de delivery. É terrível e gostoso”, brinca o rapaz, que mora no Guará com a namorada.

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Ele relata que já tinha noção da dívida porque precisava do carro, pago no cartão de crédito. “Junto uma grana, pago uma parte. O que falta, pago com o outro cartão sem juros para juntar mais um pouco até a próxima fatura e chegar em zero. Fiz o mesmo ano passado para comprar os móveis da casa”, conta Tiago.

“Devemos montar um orçamento”

A gerente-geral do Ibmec, Rina Pereira, enfatiza a necessidade das pessoas colocarem os gastos e renda no papel para organizar melhor as finanças. “Devemos montar um orçamento para medir o quanto entra de dinheiro e o que sai para reorganizar financeiramente e quitar dívidas que já tenho, revendo o que pode ser cortado. Para isso, talvez tenha que fazer alguns cortes ou diminuição de gastos para readequar a este novo orçamento de pandemia”, orienta a especialista.

Doutoranda em Administração em Finanças, Rina comenta sobre a influência das compras online por aplicativo, que também geram dívidas, segundo ela. “Um dos vilões do orçamento foi o crescimento de pedido de comida por aplicativos. Quem pesquisa, apertou orçamento, está cozinhando em casa e economiza mais. O delivery está um grande bicho papão de orçamento”, esclarece.

Para quem perdeu emprego ou teve redução na carga horária, a economista avalia que é importante levar em conta que “tivemos uma queda muito forte da renda do país que ainda não conseguimos retomar. Com a redução, as famílias focaram em itens para poder sobreviver, como contas de água e luz. Aluguel estão sendo renegociados e outros valores estão sendo discutidos como queda de valor de multa e juros.”

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Rina deixa algumas orientações para as pessoas não acumularem dívidas neste período. “A principal dica é: cuidado com compras online. Não saia comprando por impulso neste momento que a renda está menor. Outra dica é acompanhar de perto possibilidades de outros ganhos, fazer um bico, para tentar aumentar a renda”, finaliza.




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