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Economia

Dólar vai a R$ 4,06 e fecha no maior nível em três meses

O dólar à vista fechou em alta de 1,58%, a R$ 4,0662, o maior valor desde 20 de maio, quando bateu em R$ 4,10

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O real foi a moeda emergente que mais perdeu valor nesta segunda-feira ante o dólar. A divisa americana se fortaleceu de forma generalizada na economia mundial, com o presidente Donald Trump e membros de seu governo indo a público no final de semana minimizar os riscos de recessão na maior economia do mundo e ressaltando que as negociações comerciais com os chineses prosseguem. A Argentina também pressionou os mercados, em meio à queda do ministro da Economia e à sinalização de reestruturação de dívida. O dólar à vista fechou em alta de 1,58%, a R$ 4,0662, o maior valor desde 20 de maio, quando bateu em R$ 4,10. No mês, a valorização do dólar já soma 6,45%.

Também contribuiu para o fortalecimento do dólar declarações do presidente da regional de Boston do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Eric Rosengren, membro votante das reuniões de política monetária este ano. Ele minimizou o risco de piora da atividade econômica americana, afirmando que o “quadro é positivo” e que não vê motivo para mais corte de juros neste momento.

Na Argentina, com o mercado fechado por causa de um feriado local, mas com forte queda dos American Depositary Receipts (ADRs) de companhias do país em Nova York, operadores ressaltam que investidores seguiram vendendo Brasil para fazer face ao aumento do risco no país vizinho. Por ser o mercado mais líquido da região, o Brasil acaba sendo afetado pela zeragem de posições, ressalta o sócio e gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen. Outras moedas, como o rand da África do Sul, também foram penalizadas por esse movimento.

Cohen avalia que a volatilidade no mercado de câmbio vai seguir alta e as moedas de emergentes vão continuar pressionadas, por conta da maior demanda por dólar na economia mundial, com investidores em busca de proteção. Com isso, mesmo com as notícias positivas locais, o ambiente externo acaba predominando, ressalta o gestor.

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“O real caiu acompanhando a cesta de moedas emergentes, embora em ritmo mais acelerado aqui”, afirma o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. O temor de recessão mundial segue pressionando as moedas de emergentes, com os investidores fugindo de ativos de risco. A dúvida, ressalta ele, é se o início da venda de dólares das reservas pelo Banco Central, na quarta-feira (21), vai ajudar a reverter este quadro Além das reservas, o BC vai ofertar swaps reversos (compra de dólares no mercado futuro) e swaps tradicionais (venda de dólares no mercado futuro).

No exterior, o índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante divisas fortes, como o euro e a libra, atingiu um dos maiores níveis de agosto, a 98,390 pontos. Um dos termômetros do enfraquecimento das moedas dos emergentes é o fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) WisdomTree Emerging Currency Fund, negociado em Nova York. A carteira teve queda de 0,71% nesta segunda-feira, recuando para os menores níveis desde maio.


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