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Renata Jambeiro lança seu quarto CD e DVD com show especial

Michel Toronaga
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Conhecida figura do samba na cidade, Renata Jambeiro lança seu quarto CD e DVD com um show especial nesta segunda-feira (25), no Clube do Choro (Eixo Monumental). Intitulado Afrodisia, o trabalho celebra os 18 anos de carreira da artista. “Quando faço um apanhado desde quando comecei no teatro musical, não foi só minha voz que foi mudando. Até me arrisco a dizer que houve um amadurecimento de conceito e concepção do meu trabalho”, comenta. Jambeiro encontrou, na música, espaço para juntar seus talentos de expressão musical, artes cênicas e voz. E o resultado dessa experiência foi o amadurecimento. “Eu fui me descobrindo e tendo certeza de quem eu sou”, resume.

Afrodisia foi gravado ao vivo no ano passado, na Casa Natura Musical, em São Paulo. Ela explica melhor o título: “Afrodisia é aquela que tem potência, aquela que gera, desenvolve. E a partir daí eu trouxe um conceito dessa mulher que é potente, a que dá luz ao mundo, não só a que gera, a que surpreende, a que pode mais”.

Vozes femininas

O álbum e DVD trazem 17 faixas, sendo que 13 são inéditas e quatro releituras. O show de hoje terá a participação especial de Ana Reis, Daniela Ribeiro, e do projeto Nós, Negras.
“Estamos vivendo um momento de ruptura, uma abertura para falar da mulher. A figura da mulher não é aquela que foi à rua trabalhar, a geração da minha mãe, por exemplo. Estamos falando hoje de uma mulher inovadora, uma mulher em um outro lugar, que quebra com os tabus e com os padrões”, comenta a artista sobre a necessidade da valorização da mulher, tanto na música quanto na sociedade.


Entrevista

De onde veio o nome Afrodisia?

Afrodisia é aquela que tem potência, aquela que gera, desenvolve. E a partir daí eu trouxe um conceito dessa mulher que é potente, a que dá luz ao mundo, não só a que gera, a que surpreende, a que pode mais. A música é de Leandro Fregonesi, com João Martins, dois compositores do Rio. Fregonesi está comigo desde o primeiro disco e é a terceira vez que uma música dele dá nome ao meu disco. Ele foi muito importante com a canção e consequentemente no conceito do disco inteiro.

O que mudou na sua música nesses 18 anos?

Muita coisa mudou. Quando faço um apanhado desde quando comecei no teatro, no teatro musical, não só minha voz foi mudando. Até me arrisco a dizer que houve um amadurecimento de conceito e concepção do meu trabalho. Como sou atriz formada e minha essência é do ballet, da dança, tudo começou por causa da expressão corporal e eu descobri, na música, um lugar em que eu poderia me expressar da maneira que eu quisesse e dizer o que eu queria dizer. Na música, eu vi um lugar em que eu poderia juntar todas estas esferas, da expressão corporal, artes cênicas, da voz, da música, do teatro. Nestes 18 anos o que mudou foi o amadurecimento e hoje especialmente eu fui me arriscando a trazer outras sonoridades. Eu fui me descobrindo e tendo certeza de quem eu sou.

Fala um pouco sobre as canções inéditas do novo trabalho.

As canções deste disco são um presente e cada vez que eu escuto eu me emociono porque fazem parte de um mosaico de atravessamento destas mulheres. As inéditas e também as releituras elas me trazem um apanhado do que poderiam ser estas mulheres, sem necessariamente setorizá-las. Cada uma vai ouvir e vai se identificar.

As inéditas passam por autores desta geração e trago muito mais compositoras e é um equilíbrio também. Eu percebi que eu gravava muitos homens e comecei a ir atrás do que as mulheres estavam produzindo. A Roberta Espinoza, Flávia Saolli, Penepole Martins, Zélia Duncan, Socorro Lira, a Ana Costa, várias mulheres que estão dentro deste trabalho, trazendo seus olhares também. E tem músicas também que eu não defino gênero.

Este disco passa por processos, fala dos orixás femininos, das Iabás, das mulheres afro latinas. Falamos de separação, de como é possível fazer uma separação, de que é possível você se separar e fazer uma separação com amor. Eu passei por este processo de pais separados e de bem, por exemplo, na música “Voa, Amor”, que eu canto com a Roberta Epinoza. O recomeçar que traz este lugar leve, de recomeço, como em “Costura” e “Festa da Vida” trazem este lugar leve. E você passa pelo empoderamento da mulher negra, periférica, que passa por uma série de dificuldades e tem que segurar a barra, como na música Uma Mulher, da Zélia Duncan e da Ana Costa. E passa por Reencontro, uma música do Tiago Miolo, que fala deste lugar… eu tive que me perder, prender e que bom, eu não lamento, eu valorizo no sentido de que trouxeram até aqui. E quando você passa por este processo você chega em “Negra”, de Cássia Portugal, que representa esta mulher negra poderosa como Djamila Ribeiro, Cristiane Sobral. Mulheres que viraram as suas realidades. Eu poderia ficar aqui horas enumerando mulheres negras poderosíssimas, que podem e devem ocupar todos os lugares.


Serviço

Afrodísia – Show de Renata Jambeiro

Data: 25 de março, segunda-feira
Hora: às 21h
Local: Clube do Choro (Eixo Monumental)
Ingressos: R$ 40,00
Informações:(61) 3224-0599
Não recomendado para menores de 18 anos

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