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Cinema

Midsommar, do diretor de Hereditário, explora o terror de arte

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Há alguns anos, o terror ganhou repaginadas avassaladoras como A Bruxa, Babadook, Boa Noite, Mamãe, entre outros. Essa reimaginação continua cativando (ou assustando) os espectadores com novos diretores do gênero, e, obviamente, novas películas sensacionais. Midsommar – O Mal não Espera a Noite, de Ari Aster (Hereditário), que estreia nos cinemas da cidade nesta semana, acaba de entrar para este plantel de terror de arte. 

Dani (Florence Fugh) recebe um e-mail apavorante de sua irmã, mesmo que não dê muita importância de início, o acontecimento marca um novo trauma em sua vida. Para tentar amenizar a situação, seu namorado Christian (Jack Reynor) e seu amigo Pelle (Vilhelm Blomgren) a convidam para um festival na Suiça, chamado Midsommar. 

O próprio Ari Aster, durante algumas entrevistas, declarou que Midsommar funciona como um espelho de Hereditário. Esse reflexo fica evidente ao contar a perspectiva de um trauma familiar que,  ao contrário de Hereditário – em que somos jogados ao pesadelo vivido pela mãe nos primeiros quarenta minutos de exibição – Midsommar reduz essa metragem ao mostrar a tragédia de Dani em poucos minutos de filme. 

Ou seja, Aster está em seu segundo longa-metragem e por isso, pode-se perceber uma marca registrada: utilização de abalos familiares como gatilho para a perdição de suas protagonistas. 

Florence Pugh como Dani: personagem que simboliza o palco para o terror psicológico. Foto – Divulgação

Dentro dessa assinatura, Aster utiliza os melhores adereços técnicos – alucinações e edição ininterrupta – para criar uma atmosfera infernal sequenciado pelo terror psicológico. Graças à atuação magnética de Florence Pugh, o ritmo crescente (e inquietante, com cenas escatológicas e cinestésicas) ganha escalas geométricas, sendo possível notar o mar imenso de referências do diretor ao terror de arte. Existem inúmeros momentos em que Aster se aproxima de clássicos como O Homem Palha e Holocausto Canibal

É perfeito?

Não. Diferente de Hereditário, onde a narrativa tem um desfecho redondo, Midsommar engloba alguns plots desajeitados. Além disso, a fim de ganhar o público polarizado, Aster incorpora clichês saturados do terror comercial. Como, por exemplo, apenas um personagem desconfia da descendente loucura em que todos se encontram. São características que enfraquecem tanto a qualidade quanto a velocidade do filme, mas que são defeitos anulados pela montagem do pesadelo bucólico em tela. 

Foto – Divulgação

Com um ápice de extremo agridoce, onde a trilha sonora cobre o espectador com um cobertor de estranheza e fascínio, Midsommar – O Mal não Espera a Noite entra na galeria de filmes inesquecíveis do terror de arte. Não existe intermédios: é ame ou deixe. 

Por Leonardo Resende

 

 

 


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