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52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro: “Loop” é um ótimo esforço do cinema brasileiro

Leonardo Resende

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Felizmente, o cinema brasileiro – pelo menos do que é mostrado dentro dos festivais tupiniquins – tem dado grandes saltos de qualidade. Nosso contexto sócio-político tem sido o maior estorvo para isso acontecer. Porém, existem longas-metragens que conseguem propor (mesmo com fórmulas conhecidas, principalmente no cinema americano) algo totalmente novo. Loop, de Bruno Bini, que encerrou a quinta noite do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o resultado de um cinema inventivo, interessante e sazonalmente familiar.

Contado pela perspectiva de Daniel (Bruno Gagliasso), Loop traz uma trama não-linear onde o protagonista inicia o filme com sua amada Malu sendo assassinada por um estranho. Daniel, que é cientista físico, quer provar a possibilidade de fazer viagens no tempo. Agora que sua namorada está morta, sua vontade de provar essa teoria fica ainda mais intensa.

Michel Gondry e Spike Jonze, dentre outros diretores, deram start em sua carreira dentro do mundo da publicidade. Com Bruno Bini não foi diferente. O diretor começou na área de criação dentro de agências. Assim como os outros cineastas citados, Bini utiliza o melhor das suas referências visuais para compor a estética de Loop, e dentro desse empenho, consegue um resultado visualmente muito interessante.

Entretanto, o lado da narrativa não é tão original quanto seus planos e takes estupendos. Loop segue uma fórmula bem familiar para quem acompanha o âmbito da ficção científica no cinema. Porém, é um mérito muito grande do cinema brasileiro conseguir emular modelos americanos da sétima arte com tanto primor. Ao entrar no campo de viagem no tempo, é preciso muito cuidado para não encontrar furos de roteiro ou não soar piegas. Algo que é evitado pela narrativa bem estruturada e atenciosa.

Mesmo que tenha um final previsível, Loop entra para o hall de filmes brasileiros que provam como nossas produções estão em constante crescimento visual, narrativo e autoral.

Por Leonardo Resende

@leonard0resende


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