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W3 do Lazer é inaugurada em meio a pandemia do novo coronavírus

De acordo com o Decreto 40.877, emitido em edição extra na última terça-feira (09/06/2020), apenas “atividades de caminhada, corrida, bicicleta e outros veículos não motorizados” estão permitidas para a circulação na via

Vítor Mendonça

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A estreia da W3 Sul como opção de lazer no DF durante a pandemia do novo coronavírus nesta quinta-feira (11/06/2020) não recebeu aglomerações. Conforme apurou a reportagem, as atividades em conjunto eram desempenhadas por membros da mesma família, em casal ou com filhos. Com relação ao uso da proteção facial, no entanto, alguns pedalavam sem o item, ou o colocavam na região do queixo, onde a máscara não tem efetividade. O descumprimento da obrigatoriedade pode implicar em multa a partir de R$ 2 mil. As rondas do Departamento de Trânsito do DF (Detran/DF) e da Polícia Militar (PMDF), previstas no Decreto, aconteceram ao longo da via. A via será aberta novamente em domingos e feriados.

De acordo com o Decreto 40.877, emitido em edição extra na última terça-feira (9), apenas “atividades de caminhada, corrida, bicicleta e outros veículos não motorizados” estão permitidas para a circulação nas vias. Além do uso obrigatório de máscara, “ficam proibidas as práticas de quaisquer atividades recreativas e esportivas que gerem aglomeração”, acrescenta o parágrafo 3º do artigo 1º do texto.

Grata surpresa

Inicialmente o administrador de empresas Érico Vieira, 56 anos, foi totalmente contra. Para ele, que há 10 reside na quadra 703 da Asa Sul, as passagens de saída e entrada de carros seria um problema, mas mudou de opinião depois de ver como foi feita a a organização. “Agora eu vi que foi uma coisa totalmente bem controlada, fizeram esses isolamentos e deram uma credencial para os carros entrarem e sairem. Então eu estou achando bacana, mudei totalmente de pensamento”, comentou.

Uma folha de papel com os escritos “Viva W3” desempenha a função de credencial para os moradores das quadras, que os autoriza a sair e entrar com os respectivos carros pela faixa então exclusiva para ônibus. Exemplares da autorização foram distribuídos ao longo do dia nesta quarta-feira (10/06/2020) e têm caráter provisório até que um adesivo seja disponibilizado para a colagem nos veículos.

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Foto: Vitor Mendonça

Depois de aprovar a nova organização, também tratou de aproveitar as vias interditadas. “Já até saí para correr hoje de manhã. Eu, minha filha e minha esposa demos uma caminhada e voltamos na hora em que o sol estava bom. Curti”, disse. Para Érico, não há problema para uma abertura do tipo durante a pandemia. “Enquanto andei, não houve nenhuma aglomeração, só mesmo as que eram família, que andavam mais próximas de bicicleta e passearam”.

Trajeto maior para o trabalho

No entanto, segundo o entendimento do militar Carlos Alberto, 41, houve um equívoco na organização feita no local, o que será prejudicial para quem mora ou presta serviços nas quadras. “Agora quem é mais humilde e precisa vir de ônibus para trabalhar na W3 como empregada doméstica ou nas lojas, terá de fazer um trajeto muito maior para chegar”, opinou. Apesar disso, ele acredita que a população do Plano Piloto está consciente quanto aos cuidados necessários para evitar a contaminação do novo coronavírus.

Carlos mora na Asa Sul há 20 anos e ficou surpreso com a proposta inédita. Ao sair para passear com o cachorro, se deparou com as estruturas de isolamento do Departamento de Trânsito do DF (Detran/DF) e o trânsito adaptado para as vias marginais à W3. “Pensei que era uma batida ou acidente, mas quando entendi, conversando com um amigo, concordamos que não é a melhor medida. Mas paciência”, finalizou o militar.

Para quem precisa utilizar o transporte público, a solução encontrada foi de colocá-los para circularem nas vias W4 e W5. Os ônibus que chegam ao Plano Piloto pelo Sul do DF, como os trajetos vindos do Núcleo Bandeirante e Riacho Fundo, seguem pela via W4. Na rua acima, a W5, o trânsito está separado para aqueles que saem da área central em direção à Saída Sul. A frota está organizada de acordo com as escalas utilizadas no domingo.

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Foto: Vitor Mendonça

Saudade de sair

Quem aprovou desde o início foi Adriane Moreira, 40, que há mais de dois meses não fazia sua costumeira pedalada na Asa Sul. Anteriormente, a psicóloga aproveitava uma ciclovia entre as quadras 700 e 900, mas, devido às medidas de restrição, deixou de praticar a atividade e reclusou-se em casa. “Até então estava isolada. Achei melhor não andar de bicicleta nessa pandemia, até porque as ruas estavam mais desertas. Hoje eu pude conferir como está sendo a revitalização da W3. […] Estava com saudade do sol”, afirmou.

Durante o período que pedalava, por volta das 14h, percebeu um tímido movimento, mas acredita que, com o passar do tempo, as pessoas assimilarão a nova possibilidade de lazer. Adriane entende que a movimentação nas quadras será benéfica também para quem não pode sair de casa. “Desse jeito com mais movimento, é menos arriscado e mais seguro andar aqui. Há policiamento também. Por ser muito deserto no fim de semana, chega a ser perigoso para pessoas que moram aqui, que são mais de idade.”

Foto: Vitor Mendonça

“Um lazer maravilhoso”

Já o Eixo Rodoviário DF-002, o Eixão do Lazer aos domingos e feriados na capital, reabriu com movimentação maior que a avenida W3 Sul nesta quinta-feira. Após 80 dias fechado, o famoso ponto de passeio recebeu adultos, crianças, atletas de alto rendimento e até pets.

Apesar de se enquadrar dentro do grupo de risco, a idosa Laura Santos, 79, se sentiu segura para fazer uma caminhada com o cachorro Lenon no eixo rodoviário. A aposentada mora 103 Sul e costumava caminhar na espaçosa malha viária. “Acho que foi uma ótima alternativa abrirem novamente. Nós, os pets e crianças precisamos do lazer, claro que com todos os cuidados quanto ao uso de máscara, por exemplo. […] Estava com saudade. Para mim é um lazer maravilhoso”, afirmou.

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Foto: Vitor Mendonça

Há cerca de três meses isolada em casa, por estar mais vulnerável à doença, só saía para o estritamente essecial. Como mora sozinha com o animal de estimação, a saída diária era para que Lenon fizesse suas necessidades. “Eu vinha todo domingo e feriado. Em casa, para passar o tempo [e não sair], minhas atividades são leitura, artesanato, pintura em tela, bordados e crochê. Procuro ocupar a mente”, pontuou.

O engenheiro Guilherme Machado, 42, aproveitou o feriado para sair com os dois filhos e a esposa para praticar atividades ao ar livre. “Não sei nem porquê fecharam, já que é um espaço amplo e dá para respeitar a distância. Agora ainda mais porque o pessoal está usando máscara”, opinou. “Fez toda a diferença, ainda bem que voltou”, finalizou.




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