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UnB: Ameaçados de demissão denunciam apadrinhamento

Uma das funcionárias da portaria, que não quer se identificar, acredita que a demissão em massa pode ocorrer

Pedro Marra

Publicado

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Agentes de portaria da Universidade de Brasília (UnB), e terceirizados pela empresa Servite, denunciam ao Jornal de Brasília que vêm sofrendo ameaça de demissão por parte da Diretoria de Segurança (Diseg) por conta de uma possível troca de companhia. Segundo alegam os funcionários, essa mudança pode gerar uma brecha para o diretor de segurança da instituição, Josué Barbosa Guedes, indicar pessoas próximas a ele ao cargo como já teria acontecido em anos anteriores.

Uma das funcionárias da portaria, que não quer se identificar, acredita que a demissão em massa pode ocorrer. “Ele [diretor Guedes] está espalhando isso pelos quatro cantos da UnB. E sempre coloca parentes dele. Recentemente, houve contratação na Life (empresa de segurança) e colocou um sobrinho dele nas vagas que surgiram. Ele sempre faz isso na vigilância, assim como na portaria”, denuncia a funcionária.

“Ele [Guedes] está fazendo tudo de novo quando a empresa Planalto estava saindo (em 2015) da universidade. Mandou todo mundo ir para casa sem avisar nada para ninguém. Fui trabalhar no outro dia e tive a surpresa de ter vigilantes no meu posto que me mandaram ir embora. Eles não seguem o precedente do que é um direito trabalhista. Em setembro, contrataram cerca de 150 pessoas. Nessa remessa, a maioria era de parentesco deles, tanto do Guedes, como de representantes da Servite. Estou com medo de ser demitida, porque quem faz a lista de trabalhadores são eles”, conta outra porteira.

Ameaça antiga

Em junho de 2015, uma outra funcionária de portaria, que também não quis ser identificada, viveu na prática a situação de ameaça, e consequentemente, a demissão, quando trabalhou pela empresa Planalto.

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“Já passei por outras empresas, como a Rover, PH Serviços e G Tech. Todas essas sempre tiveram essas ameaças. Na época que eu saí, foi o próprio Guedes que fez uma lista [de demissão]. Isso não era segredo, era para intimidar todo mundo. E as pessoas ficavam aterrorizadas. É uma pressão psicológica muito grande. Não é possível que isso vai acontecer novamente, que ele vai mandar mais gente embora porque ele quer”, critica a ex-porteira da UnB.

À reportagem, o diretor de segurança da UnB, Josué Barbosa Guedes, negou que interfere na indicação e ameaça de demissão de porteiros da Servite. “Isso não procede. O que posso informar é que o contrato atual está expirando, mas já tem uma empresa vencedora. Eu, como servidor público, não posso fiscalizar ninguém. Nós, enquanto servidores públicos, não indicamos ninguém. Quem a empresa vai contratar ou demitir, não compete a nós. A gente não interfere em nada”, posiciona-se.

A coordenadora do setor de contratos da Servite, Patrícia Torres, diz que não está ciente da situação de ameaça de demissão dos funcionários da empresa na UnB. “Desconheço essa informação. Não conheço qualquer informação de funcionários sendo ameaçados”, diz a representante da companhia, com sede em Natal-RN.

Segundo a Universidade de Brasília, chegou ao fim o prazo limite de 60 meses do contrato nº 171/2016 com a Servite de serviços de portaria. Para isso, “a UnB vem trabalhando em uma nova contratação. Atualmente, estamos na fase externa do pregão eletrônico, mais precisamente, no recebimento das propostas dos licitantes”, diz a instituição por meio de assessoria de imprensa.

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Sindicato vai levar denúncias ao MPT

Representante da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), Francisco Targino publicou uma carta aberta à UnB relatando a situação dos porteiros. “Essa carta exige da reitoria que garanta os empregos dos porteiros, e que os agentes de portaria atuais que trabalham na Servite tenham seus empregos mantidos na mudança de empresa que ocorrerá devido a licitação no setor de portaria”, adianta.

A Central pretende registrar uma acusação no Ministério Público do Trabalho (MPT). “Denunciaremos que o diretor de segurança da UnB está junto com o representante da empresa Servite fazendo lista a ser enviada para a universidade na mudança de empresa. Nesta lista, o diretor de segurança pretende incluir os seus amigos e apadrinhados, tirando assim os empregos dos atuais porteiros. Sendo que ele próprio está falando nos quatro cantos da universidade que fará isso. Além de que esse diretor de segurança já adotou essa prática em outros momentos na mudança de empresas no setor de portaria”, acrescenta Targino.

UnB

Ao Jornal de Brasília, a universidade enviou uma nota esclarecendo a ameaça alegada pelos funcionários. “A Universidade de Brasília possui o Comitê Consultivo Permanente para Gestão de Segurança da UnB, que faz todo o planejamento estratégico da área, com base em dados e nas contribuições de pessoas de dentro e fora da comunidade universitária. Personificar qualquer assunto relativo a contratações de empresas terceirizadas na pessoa do diretor de Segurança é um equívoco, portanto. Além disso, a UnB cumpre a legislação vigente, que proíbe a ingerência da instituição em assuntos administrativos das empresas terceirizadas, que são as responsáveis por contratações e possíveis demissões”, diz o texto.

“Ressaltamos, ainda, que a Universidade não tem informações sobre nenhum tipo de ameaça contra os porteiros. A instituição possui canais para denúncia, inclusive anônima, e é muito importante que, caso isso seja verdade, haja uma formalização”, complementa a assessoria de imprensa.

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