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Brasília

‘Tudo no BRB é extorquir’, diz empresário em delação premiada

Arquivo Geral

29/01/2019 12h12

Foto: Raianne Cordeiro/Jornal de Brasília

“Tudo no BRB é extorquir. Não é depois. Hoje. Qualquer negócio lá tem que ter pedágio”, disse o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues a procurares da força-tarefa Greenfield. “Por isso que o BRB é um banco totalmente – como é que se chama? – inoperante do ponto de vista de mercado. O objetivo lá é cobrar pedágio”, emendou. A informação foi revelada pelo jornal Folha de São Paulo.

As delações de Rodrigues, do corretor Lúcio Bolonha Funaro, operador de propinas para o MDB, e de executivos da Odebrecht, motivaram a Operação Circus Maximus, deflagrada na manhã desta terça-feira (29) pela Polícia Federal. A ação apura o pagamento de propina a diretores e ex-diretores do BRB.

A suspeita é de suborno de R$ 16,5 milhões em troca de investimentos em projetos como o do extinto Trump Hotel, no Rio de Janeiro, atualmente conhecido como LSH Lifestyle.

Leia também: PF investiga pagamento de propina a diretores e ex-diretores do BRB

Os mandados de prisão e de busca e apreensão miram dirigentes atuais e já afastados do BRB, e foram expedidos pela 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. Entre os investigados estão o presidente licenciado do BRB, Vasco Cunha Gonçalves, e os diretores Financeiro e de Relações com Investidores, Nilban de Melo Júnior, e de Serviços e Produtos, Marco Aurélio Monteiro de Castro. Os três são alvo de mandados de prisão.

A operação também mira Diogo Cuoco e Adriana Cuoco, respectivamente filho e nora do ator Francisco Cuoco. Eles são suspeitos de lavar dinheiro para o esquema. Outro alvo é Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente do Brasil durante a ditadura militar.

Governo Rollemberg

O esquema teria começado em 2012 e passado por reestruturação em 2015, sob o comando do chefe do Conselho de Administração do BRB, Ricardo Leal, que foi tesoureiro na campanha de Rodrigo Rollemberg nas eleições de 2014 para o Palácio do Buriti, e que nomeou parte dos dirigentes do BRB envolvidos na investigação.

Conforme o apurado, houve pagamentos indevidos para liberar, via BRB, recursos do Instituto de Gestão Previdenciária de Tocantins (Igeprev-TO), do Regime de Previdência Social do município de Santos, do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (IPERGS) e de fundos próprios do BRB, entre outros.

De acordo com a publicação da Folha, o documento sustenta que as propinas eram pagas por meio de entregas de quantias em espécie e com emissão de notas fiscais frias por empresas que simulavam serviços para justificar as saídas dos recursos das empresas pagantes. Uma delas era a Globomix Servicos de Concretagem, de Diogo Cuoco.

 

 

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