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Sanoli: ex-funcionários pressionam RH

“Se o dinheiro sair até o dia 31, a gente vai pagar”, diz um homem do setor para antiga empregada

Pedro Marra

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Pedro Marra
redacao@grupojbr.com

Em aparente crise financeira, a Sanoli — empresa de alimentação hospitalar -— tem recebido ligações de ex-funcionários no setor de Recursos Humanos (RH) cobrando os direitos trabalhistas referentes às demissões de dezembro. A companhia tem recebido a pressão por parte dos antigos funcionários desde o início do ano. Entre os benefícios requeridos, estão: seguro-desemprego e liberação do FGTS.

Ontem, o Jornal de Brasília recebeu, com exclusividade, áudios enviados por uma ex-copeira do Hospital de Base — que não quis se identificar— de uma conversa com um funcionário do RH da empresa, identificado como Fred.

“Ainda não ligamos porque ainda não saiu o pagamento. Todo mundo (ex-funcionários) está na mesma situação. Se sair o dinheiro até o dia 31, a gente vai pagar. Pode cair a qualquer momento o dinheiro e a gente fazer o repasse. Agora, não adianta eu falar para vocês uma data e vocês ficarem na expectativa. Para pagar vocês, a gente precisa do repasse do governo, e não saiu. Vocês têm que entender. Eu também estou na mesma situação, não recebi o meu salário de dezembro. A empresa não vai deixar de pagar, isso é certo. Agora, eu não tenho uma data para falar para você que vai sair tal dia. Vocês estando fora ou dentro da empresa, isso aí é a mesma coisa. Não vou ficar discutindo isso por telefone, se você quiser vir aqui, a gente conversa”, diz o homem, que rapidamente encerra a ligação primeiro.

Demitida no dia 6 de dezembro, a ex-empregada da Sanoli ainda não teve retorno positivo com o RH.

“A gente entra em contato com a empresa e não temos resposta. Já liguei três vezes, e dizem que diretores estão em reunião, aí falam para a gente ‘ver daqui a pouco’”, relata a ex-copeira.

Ela disse à reportagem que cumpriu aviso prévio em casa até o dia 28 de dezembro do ano passado, mas não conseguiu nem sequer pegar a carteira de trabalho ainda. “Nos chamaram para cumprir o aviso em casa até o dia 28. No dia 6 de janeiro, era para voltarmos à empresa com o nosso exame demissional. Nesse dia, perguntaram para mim se eu queria deixar a carteira de trabalho com eles ou no sindicato. No dia seguinte, entraram em contato dizendo que deram baixa na nossa carteira de trabalho, mas não me pagaram”, diz.

Acerto desmarcado

A também ex-copeira da Sanoli no Hospital de Base, Thalita Cristina, 33 anos, passa pela mesma situação. Ela foi dispensada no dia 6 de dezembro de 2019 sem justa causa, e cumpriu aviso até o dia 28 do último mês sem precisar ir ao trabalho. “No dia 8 de janeiro, estava marcado para fazer o acerto no sindicato. Mas antes disso, me ligaram e desmarcaram. Até hoje eu aguardo retorno do RH”, protesta.

Moradora do Jardim Ingá – bairro no Entorno do DF – Thalita diz que foi pega de surpresa com a demissão. “A minha geladeira está vazia. É um sentimento de desespero, porque vejo o meu filho pedindo as coisas e não tenho”, lamenta.

Thalita também tem perguntado por meio de mensagens para funcionários do setor de RH sobre o recebimento dos devidos direitos trabalhistas. Segundo ela, a gerente do setor, Socorro, argumenta não ter um dia para realizar o repasse do dinheiro. “Peço desculpas em nome da empresa, e peço um pouco de calma, pois ainda não temos uma data exata para o pagamento. Estamos trabalhando para resolver o quanto antes as pendências”, diz a mulher.

Em outra mensagem, ela fala com uma mulher chamada Jussara pedindo direitos em nome de todos os ex-funcionários mandados embora. “Passarei a sua reclamação para RH”, é a resposta que ela recebe.

A Sanoli enviou nota à imprensa sobre a situação. “Nenhuma demissão recente ocorreu por conta das mobilizações. Se alguém foi demitido, foi por outros motivos, como em qualquer empresa do setor. Com relação aos direitos trabalhistas estão sendo alocados de acordo com o fluxo de caixa”, informa a empresa, sem dar maiores detalhes.

A empresa diz ainda que “tudo entra no fluxo de caixa da empresa. O que entrar será usado para pagamento. Então não deve demorar muito (o pagamento a ex-funcionários).”
A Sanoli alega não ter recebido cerca de R$ 42 milhões da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) desde 2014, valor referente a uma atualização financeira dos valores da data-base dos funcionários.

Funcionários entram na justiça

O ex-cozinheiro do Hospital Regional do Gama (HRG), Ivanildo Silva, 30 anos, que foi demitido pela empresa em 19 de dezembro passado, segue sem receber. Ele cumpriu aviso prévio até 9 de janeiro, com a rescisão marcada para 19 deste mês. “De lá para cá, só ficaram empurrando para frente a resposta. Liguei no RH da empresa e até agora nada, eles falam que não têm previsão de me pagar. É uma administração péssima”, conta o rapaz, que trabalhou por quase quatro anos na Sanoli.

Ivanildo entrou com processo contra a Sanoli na Justiça.

“Fiz isso porque minhas contas estão todas atrasadas. Cartão de crédito, se eu não pagar até daqui uns dias, meu nome vai para o SPC. Quero pagar para o meu nome não ficar negativado”, preocupa-se.

O ex-cozinheiro da Sanoli relata como foi a explicação da empresa quando ele foi demitido. “Durante o mês de dezembro com as pessoas desanimadas para trabalhar, comecei a faltar também. Aí eles me transferiram para o escritório sede. Cheguei lá e disseram que não tinha mais como eu servir a empresa”, recorda o ex-funcionário.

Carta de rescisão

Vale lembrar que o GDF divulgou uma carta de rescisão com a Sanoli no última dia 21 de janeiro por meio da Secretaria de Saúde do DF. “A Secretaria de Saúde informa que, em atendimento à determinação do Governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, rescindirá o contrato com a empresa Sanoli. A empresa vem descumprindo o contrato e trazendo prejuízo à Saúde do DF e, por isso, buscará, de forma legal, a rescisão”, diz o texto.

Em entrevista ao JBr, Okumoto, afirmou que a empresa foi notificada da rescisão, mas continua atendendo. “A Sanoli terá o direito ao contraditório”, disse. Se precisar abrir um edital emergencial, Osnei adianta que a SES-DF tem como suprir a necessidade.


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