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Retorno presencial permanece baixo em escolas particulares

Os alunos seguiram as orientações de aferição de temperatura, uso do álcool gel e máscara na entrada dos colégios

Vítor Mendonça

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Aulas presenciais para alunos do Ensino Fundamental II. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília
Aulas presenciais para alunos do Ensino Fundamental II. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília
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O retorno presencial do Ensino Fundamental II das escolas particulares nesta segunda-feira (19) correspondeu a menos de 50% dos estudantes em escolas do DF. Os alunos dos períodos matutino e vespertino seguiram as orientações de aferição de temperatura, uso do álcool gel e máscara na entrada dos colégios Santo Antônio e Sigma, ambos na 912 Sul. O movimento foi moderado nas duas instituições de ensino.

Na unidade de ensino Sigma, os alunos são deixados pelos pais somente até a portaria de entrada. Após as catracas, apenas docentes e estudantes estão autorizados a entrar. Esta foi uma das medidas de rigor tomadas pela instituição para garantir a menor circulação possível de pessoas ali e, assim, apenas o corpo essencial transita dentro das instalações da instituição. De acordo com a diretora da unidade, Carolina Witzke Darolt, o primeiro dia foi conforme o esperado.

Após as catracas, apenas docentes e estudantes estão autorizados a entrar. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Após as catracas, apenas docentes e estudantes estão autorizados a entrar. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

“Foi muito tranquilo e dentro do previsto da pesquisa que fizemos. Teremos, em média, o retorno de 20% dos alunos do Fundamental II [cerca de 140 estudantes]”, afirmou a diretora. As salas e cronogramas foram organizadas a fim de contemplar dois grupos. Nesta primeira semana voltam presencialmente os estudantes do grupo A, com o grupo B de forma remota. Na seguinte, invertem-se as escalas.

A diretora, também professora de redação, explica que para conciliar o ensino remoto e presencial na sala de aula faz parte de uma “readequação do professor”. “É uma alegria. Exigiu do professor uma preparação, mas, como já tínhamos feito toda a formação para as plataformas on-line e uma preparação, agora ficou mais simples. Estamos atentos para olhar para os alunos na sala e os que estão no chat. É uma outra dinâmica. Não é difícil, é uma nova rotina”, disse.

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“Eles voltaram felizes de retornar para a escola. Não é a normalidade, mas estamos nos preparando para a volta presencial. Há uma integração de como estivéssemos em um mesmo ambiente”, complementou. “Passamos primeiro pela fase de gravação das aulas, depois elas passaram a ser on-line, de forma simultânea, e agora com elas sendo transmitidas. Não acreditamos na educação à distância [completa], mas ganhamos muito com os recursos tecnológicos. Houve um grande salto para o século 21 de todas as escolas.”

Para o retorno dos alunos do Ensino Médio, na semana que, o sistema de rodízio entre turmas na semana também será utilizado. Para os que conseguiram criar uma meta de estudo e se organizar melhor, continuarão em casa. Aqueles que sentem necessidade do presencial deverão retornar, conforme explicou Carolina. A expectativa é similar a do Fundamental II, com 20% do total de estudantes.

“Nosso objetivo é sempre o aprendizado do aluno. Temos um papel de colaboração para formação e vamos ajudar os alunos e famílias para um novo convívio social, que deve durar um tempo também. Precisamos estabelecer um protocolo, com a necessidade de segui-lo”, finalizou Carolina.

Superou expectativas

Já no Colégio Santo Antônio, o número de alunos recebidos foi maior do que o inicialmente pesquisado em questionário com os pais. De acordo com a diretora da instituição, Amanda Fernandes, a porcentagem de retorno calculada girava em torno de 33% de adesão. Mas nos termos de compromisso – documento assinado pelos pais para o retorno dos filhos – houve a adesão de cerca de 45% dos responsáveis.

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“Temos muito mais termos do que o número da pesquisa. Acredito que pela proposta que a gente fez para os pais para o cumprimento do manual de protocolos em relação a covid, eles passaram a ter uma confiança grande, superando nossas expectativas para o retorno presencial. […] É um número que conseguimos atender dentro do que foi determinado”, afirmou Amanda. A quantidade de alunos não chegou a encher as salas, que têm limitação de 15 carteiras.

“A conscientização deles já foi assimilada e a gente reforça desde aqui na entrada. Temos a alegria de ver nos olhos deles a felicidade de ter o contato novamente com a professora, e até brincamos que as professoras eram artistas [da internet] e, de repente, passam a ter contato com elas novamente e os professores de uma forma geral. Foi a alegria do impacto mesmo”, contou a assessora pedagógica do colégio, Zuita Paiva. Vídeos foram gravados e passados para a família sobre outras orientações, incluindo a correta forma de troca de máscaras.

Para o Ensino Médio, porém, diretora e assessora pedagógica concordam que a adesão foi menor que as do infantil e fundamentais, uma vez que os alunos, pela idade, possuem maior autonomia e independência para seguirem uma rotina de estudos por conta própria. “Acho que eles já se acostumaram mais com as aulas nas telas. […] Mas não conseguimos fazer uma comparação de desempenho presencial e on-line, até porque envolvem aspectos sócio-emocionais”, disse Amanda. “Há muitos benefícios, mas também desafios. Foi o pontapé para uma vida mais informatizada.”

Opiniões divididas

Na família de Camila Albuquerque, de 44 anos, os três filhos já retornaram ao ensino presencial no Sigma da 912 Sul. Rafael, 6, havia voltado antes no Ensino Fundamental I, mas Maísa, 12, e Pedro, 14, foram ao colégio apenas nesta segunda-feira (19), depois de quase oito meses sem as atividades presenciais. O novo modo de aprendizado híbrido ainda é novidade para ambos e trouxe tanto alegrias quanto insatisfações também.

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Camila Albuquerque e os três filhos, Maísa (12), Rafael (6) e Pedro (14). Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Camila Albuquerque e os três filhos, Maísa (12), Rafael (6) e Pedro (14). Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

“Foi mais ou menos”, afirmou Maísa. O irmão Pedro complementou com o por quê. “Algumas aulas foram não presenciais para os professores, que conversaram conosco pela tela da sala, então isso não foi muito legal. Mas fora isso foi tudo ok”, explicou. Acontece que alguns professores são do grupo de risco e optaram por ministrar as aulas de suas casas, por isso a diferença destacada pelos adolescentes.

A maior falta mesmo foi dos outros colegas de turma, que ou não retornarão por ora ou estão no outro grupo de alunos do rodízio estabelecido no colégio. “Veio pouca gente”, disse Maísa. “[Mas] prefiro na escola porque é presencial e mais legal ver os professores”, continuou ela. Já para Pedro, o aprendizado em casa é mais produtivo, mas também desafiador. “Tem mais conforto e não precisamos nos deslocar para a escola. […] Mas também perdemos muita atenção em casa e às vezes parece como um vídeo do YouTube”, disse.

Para a mãe, odontopediatra, as medidas tomadas pelo colégio são suficientes para garantir que os filhos não sejam contaminados com o novo coronavírus. Além do mais, ela afirma que, em casa, a organização de horários de trabalho do marido e sua função em consultório não são boas para dar suporte aos filhos diariamente. “Existe uma questão da saúde mental também, para que voltem às rotinas que são as comuns para eles. E também para os professores”, finalizou Camila.




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