fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Cidades

“Natal na Umbanda é caridade”

Religião celebra a data com mutirões de doação pelo DF. Ideia é dar esperança a quem sofre

Lucas Neiva

Publicado

em

Foto: Lucas Neiva/Jornal de Brasília
PUBLICIDADE

“A Umbanda é a prática da fé, do amor, da simplicidade, da caridade”, conceitua Ivan Choas, de 63 anos, pai de santo
conhecido entre os seguidores como Pai Ivan. Para ele e para os demais seguidores da religião que mistura elementos de religiões africanas e indígenas com o cristianismo, o Natal é uma data de grandes mudanças. “É a chegada de uma nova esperança para aquelas pessoas tão sofridas”, explica o pai de santo.

O Natal acontece no dia 25 de dezembro, mas Pai Ivan inicia os trabalhos para a comemoração em novembro. A celebração se dá por meio de grandes mutirões de doação, que esse ano foram realizadas na cidade de São Sebastião. “Em novembro recolhemos cestas básicas, roupas, remédios, brinquedos, fraldas descartáveis, cadeiras de rodas. (…) Então saímos na rua distribuindo, ”, relata. As doações são feitas de forma anônima: os voluntários só afirmam fazer parte da Umbanda se forem perguntados. “A gente não diz que é da Umbanda ou da religião tal. Entregamos o alimento independente de quem está ali buscando”. As doações natalinas do Umbanda são realizadas há 40 anos no Distrito Federal.

Assim como nas vertentes tradicionais do cristianismo, o Natal representa para o Umbanda o nascimento de Jesus, mas com diferentes nomenclaturas. “Nada muda em relação ao que ele representa para a Igreja Católica: fé, caridade, amor, lealdade, comprometimento. (…) O que muda é que na Igreja Católica eles chamam Deus e Jesus.
Dentro da Umbanda nós nos referimos a Deus como Nosso Pai Oxalá, a divindade. Essa divindade seria para nós a fé, o merecimento que ele nos dá de atingir objetivos e ideais na vida. A natureza representa ele, o ar que a gente respira o representa”, explica.

A diferença de nomenclaturas se estende aos santos venerados pelos católicos, denominados Orixás pelo Umbanda. “Por exemplo: São Jorge para nós é Ogum. Uma imagem também muito contemplada na Igreja Católica é a de Nossa Senhora da Conceição, mãe de Jesus, que para nós é Oxum. São Lázaro, para nós, é feito Omolu, e assim temos várias outras denominações que a gente traz para a nossa Umbanda querida”, esclarece o pai de santo

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pai Ivan conta que o significado de mudança atribuído ao Natal pela Umbanda se deve às transformações provocadas pelo nascimento de Cristo. “Com a chegada do Menino Jesus, existe a transformação. Ele vem até o mundo trazendo esperança, trazendo paz e saúde. (…) Para nós o Natal significa renascimento, transformação”.

A principal imagem do Natal para o pai de santo são as doações realizadas ao fim do ano. “É gratificante você ver uma criança recebendo aquele brinquedo pequenininho e o sorriso ser gigantesco. Você ver aquela mãe que não tinha nada para comer naquele dia e a alimenta de esperança além do alimento físico. Isso é o nosso trabalho natalino”, relata.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Foto: Lucas Neiva/Jornal de Brasília

Preconceito

O pai de santo lamenta que mesmo com um enorme esforço para promover a paz e a caridade, a Umbanda ainda seja alvo de preconceito. “A imagem que se tem da Umbanda ou de qualquer outra religião quando não se conhece é muito macabra, é muito sombria (…) porque as pessoas não conhecem. E aquilo desconhecido as pessoas acham que é bicho de satanás”.

Pai Ivan declara que pessoas com preconceito ao Umbanda deveriam procurar repartir do que possuem durante o Natal. “Normalmente essas pessoas tem tudo. Só não tem amor, fé e, acima de tudo, caridade, porque são egoístas. É muito mais fácil criticar o que você não conhece. Diria para procurar não um centro, mas alguma pessoa que precise de um abraço”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE



Leia também


Publicidade
Publicidade
Publicidade