Manuela Rolim
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Oque antecedeu a morte de uma criança de quatro anos no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), ontem, é um mistério. Pela manhã, o padrasto dele, de 30 anos, deixou o garoto na unidade com hematomas pelo corpo, segundo a Polícia Militar. O responsável alegou que o menino teria caído no banheiro e se machucado. Mas a equipe médica desconfiou do estado de saúde do paciente e acionou a corporação. A família vinha sendo acompanhada pelo Conselho Tutelar desde junho deste ano.
“Parecia que ele tinha sido agredido. A criança estava sozinha e tinha marcas estranhas pelo corpo. Foi o que o hospital nos passou”, disse a tenente Mônica Pontes, do 2º Batalhão de Polícia Militar de Taguatinga. Em seguida, a PM localizou o endereço da vítima e foi até a casa onde ela morava com a mãe, o padrasto e o irmão mais novo, que tem entre um e dois anos.
Na residência, na QNJ 36, estava o carro de um vizinho, utilizado para levar o garoto ao hospital. “Tanto o padrasto quanto o dono do veículo foram encaminhados à delegacia para prestar esclarecimentos. Eles não contestaram. Disseram que tinham voltado para casa para pegar os documentos do menino”, completou Mônica.
Na casa, a polícia também encontrou o irmão, que estava com um machucado no rosto e uma das pernas engessada. “Ele foi ao Instituto Médico Legal (IML) para ser periciado, assim como a vítima”, informou a tenente. Depois que a criança veio a óbito, a mãe foi localizada e chamada ao HRT. O garoto teria tido traumatismo craniano.
Casal foi ouvido por delegado
O padrasto passou a tarde prestando depoimento na 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), mas foi liberado por volta das 19h.
Muito abalada, a mãe da vítima também passou a quinta-feira na unidade policial. Enquanto era amparada pelos familiares, chegou a dizer: “Meus filhos o consideram como um pai”. A todo momento, a mulher levava as mãos ao rosto e balançava a cabeça como se não acreditasse no fato.
No fim da tarde, conselheiros tutelares de Taguatinga Norte compareceram à 17ª DP, após tomarem ciência do caso pela imprensa. “Fizemos uma rápida pesquisa em nosso sistema e confirmamos que o endereço da vítima já estava cadastrado”, conta uma conselheira.
Na pasta, porém, não consta nenhuma suspeita de agressão às crianças. “Envolve os adultos da família. Mesmo assim, quando tem menores no meio da relação, fazemos o acompanhamento”, acrescentou.
Saiba Mais
De acordo com a equipe da PM que atendeu a ocorrência, o padrasto teria antecedente criminal por roubo. A Polícia Civil não concedeu entrevista.
Procurada pelo Jornal de Brasília, a Secretaria de Saúde se recusou a prestar informações sobre o atendimento ao menino.
Agora, o Conselho Tutelar espera receber um relatório da Polícia Civil para continuar o trabalho.