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Ibaneis vai inverter sentido de ônibus em faixas exclusivas da EPTG

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Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

As faixas exclusivas da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) serão invertidas. Uma obra avançada no canteiro central já indica o que pode ser a mudança: as pistas serão transpassadas para que os ônibus possam, enfim, usar os pontos de parada instalados do lado esquerdo da rodovia. A ideia é que os coletivos circulem na contramão durante os horários de pico de um lado da via, liberando, no sentido oposto, todas as quatro faixas para carros comuns. A novidade foi anunciada por Ibaneis Rocha (MDB) nesta sexta-feira (1º).

“A reclamação de todos é que a faixa exclusiva não funcionava porque a porta dos ônibus é do outro lado. Eu tive a ideia de inverter as faixas fazendo uma mão inglesa de modo que passem a funcionar”, informou o emedebista. A obra já está avançada. No início da EPTG, próximo à Octogonal, há o que deve ser uma das alças da mudança. Ali, a área foi delimitada e a pavimentação asfáltica iniciada.

O funcionamento deve ser parecido com o que acontece diariamente na descida do Colorado. Extraoficialmente, a informação é que, nos horários de pico, os ônibus passarão para o lado inverso e seguirão até o fim da EPTG no contrafluxo. Enquanto isso, a faixa exclusiva deve ficar liberada aos demais carros. Assim, pela manhã, os veículos com destino ao Plano Piloto terão quatro faixas liberadas, além da ocupada pelos veículos autorizados que circularão na contramão. À tarde, o fluxo é invertido para Taguatinga.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) diz que “estão sendo feitos estudos para viabilizar a utilização das paradas de ônibus no meio da via”. Por enquanto, são realizados testes “para avaliação da melhor maneira de executar a obra, considerando provocar o mínimo de transtorno possível aos motoristas”. A promessa é que a autarquia detalhe a situação posteriormente.

Foto: Francisco Nero/Cedoc/Jornal de Brasília

Solução paliativa
Os corredores exclusivos foram inaugurados há quase oito anos. Desde então, o uso é limitado. A maior parte do transporte público divide espaço com os carros de passeio nas faixas da direita. Somente as linhas semiexpressas circulam no trecho com exclusividade e não fazem paradas ao longo da via. A frota de ônibus da capital até foi renovada depois que as faixas começaram a funcionar, mas as empresas só passaram a ser obrigadas a comprar modelos com portas dos dois lados em julho passado.

Especialista em Trânsito, Márcio de Andrade vê a iniciativa positivamente. “Uma faixa reversa em horário de pico aumenta a fluidez no transito e cria nova alternativa para o condutor não ficar travado”, opina. Ele ressalta que a faixa exclusiva se tornou obsoleta pela quantidade ínfima de coletivos que passam por ali. “É até um convite à infração no trânsito porque ela fica vazia enquanto o motorista está preso no engarrafamento”.

Para Márcio de Andrade, o estudo precisa abranger o que será feito a longo prazo. “É um paliativo. Não temos mais como crescer ali. Bato na tecla de que temos que investir em transporte público de massa que seja seguro, pontual, higiênico e efetivo para que a população deixe o carro na garagem”, aponta.

Luiz Miúra, ex-diretor do Departamento de Trânsito e especialista na área, diz que não seria contra, mas faz crítica. “Pode otimizar o trânsito, mas é um investimento possivelmente em grande quantidade para consertar um erro do passado (de instalar os pontos de parada no canteiro central)”, opina. Do ponto de vista da segurança, ele compara a presença da faixa na contramão ao funcionamento do Eixão, que tem pistas em sentidos opostos sem qualquer barreira física: “Apenas eventualmente acontecem acidentes”.

 

 


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