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Festival de Brasília discute a resistência do cinema brasileiro

Evento enfrenta ano da pandemia com arte, ciência e paciência

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O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) é um grito de resistência. Foi com esse eco que atravessou 53 anos, ora travando batalhas inglórias contra governos autoritários e políticas perversas de desmonte ao audiovisual nacional, ora instaurando linguagens e identidades ao cinema brasileiro. Em 2020, diante de uma pandemia que já vitimou mais de 175 mil brasileiros e desempregou alguns milhões, esteve, como a maioria dos eventos culturais, em iminência de ser cancelado. Seria interrompido mais uma vez. De 1972 a 1974, foi censurado pela ditadura militar.

Curador e diretor artístico, o cineasta Silvio Tendler há mais de dois meses respira esse estado de felicidade, como fez, em 1996, quando então secretário de Cultura e Esportes do DF projetou uma das mais potentes edições do FBCB, com ênfase em intercâmbio artístico e filmes de uma novíssima geração, da chamada retomada do cinema nacional, após a devassa dos anos Collor e o desmantelo da Embrafilme.

“O cinema brasileiro é um resistente e renitente. Resiste a tudo que tenta derrubá-lo. Como diz Glauber Rocha, em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”: ‘mais forte são os poderes do povo”. Não desistiremos e não calaremos, o 53º FBCB é uma prova viva. Nesta edição, foram 698 filmes inscritos. Isso significa que estamos resistindo com arte, ciência e paciência”, aponta Silvio Tendler.

Parceria com o Canal Brasil

Maior vitrine do cinema político no país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro escancara-se ao mundo pela primeira vez. De 15 a 20 de dezembro, o público de todos os cantos pode acompanhá-lo no Canal Brasil (Mostra Oficial de Longa-Metragem) e na plataforma de streaming Canais Globo (Mostras Oficial de Curtas e Brasília).

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O Canal Brasil já mantinha parceria duradoura com o FBCB, seja na cobertura jornalística, no Prêmio Canal Brasil de Curtas, seja nas rodadas de negócios e eventos.

“Neste momento tão atípico, é muito importante para o cinema e para a cultura que o Festival de Brasília aconteça e que isso possa se dar nas telas do Canal Brasil. É também uma oportunidade para que um número maior de pessoas possa acompanhar a exibição dos filmes, agora com alcance nacional. Estamos muito felizes em levar mais um festival de cinema para o grande público”, afirma Gesiele Vendramini, gerente de Negócios, Produção e Digital do Canal Brasil.

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Todas as formas de narrar

Os 30 filmes selecionados para as mostras Oficiais de Longa e Curta e a Brasília apontam para o cinema contemporâneo brasileiro que se apropriou de suas narrativas para firmar uma identidade. Há filmes das cinco regiões brasileiras, o que indica essa vitalidade.

Na Mostra Oficial de Longas, essa tendência fica evidente na busca por um fio de memória que não pode se perder, num momento tão delicado, no qual a Cinemateca, guardiã de um acervo inestimável, é desmontada pelo poder público. Entre os concorrentes, “Ivan, O TerrirVel”, de Mário Abbade, e “A Luz de Mário Carneiro”, de Betse de Paula, voltam-se para dentro da história do cinema e esticam a memória como um tensionador do debate central, enquanto “Por Onde Anda Makunaíma (RR), de Rodrigo Séllos, mergulha no personagem-chave de Mário de Andrade para discutir a mítica do brasileiro.

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A memória deixa de ser vestígio e vira caminhos abertos para a narrativa de “Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem (PE, RS, MS), de Natara Ney, a partir de um lote perdido de 110 cartas de amor encontrada numa loja de antiguidades.

Em “Entre Nós Talvez Estejam Multidões (MG/PE)”, de Alano Bemfica e Pedro Maia de Brito, monta um painel brasileiro e político ao entrelaçar o cotidiano de 300 famílias da Ocupação Eliana Silva, que surgiu em abril de 2012 na região do Barreiro, em Belo Horizonte, com eleição de Jair Bolsonaro.

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Os cinco concorrentes documentais dialogam com “Longe do Paraíso (BA)”, única ficção da mostra comandada pelo veterano Orlando Senna, que toca no delicado e perigoso universo dos crimes sob encomendas de líderes populares no Brasil.

Serviço

53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB)

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De 15 a 20 de dezembro no Canal Brasil (às 23h, Mostra Oficial de Longas) e na plataforma de streaming Canais Globo (disponíveis de 15 a 20 de dezembro, Mostra Oficial Curtas e Mostra Brasília).

Dia 21 de dezembro, às 20h, cerimônia de premiação transmitida pelo Canal do Youtube do 53º FBCB.

As informações são da Agência Brasília




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