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Elas crescem, embelezam… e tombam

De acordo com a Novacap, cerca de 2 mil árvores caíram no DF em 2019 por causa de doença ou tempestades

Vítor Mendonça

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A primeira queda de árvore no Distrito Federal em 2020 levantou e expôs um problema ainda antigo na capital federal: a fragilidade das antigas copas que cobrem a área central da cidade. Na última terça-feira (7), uma das espécies de Amendoim-Bravo, de cerca de 20 metros, caiu sobre a avenida W4 da Asa Sul, na altura da quadra 904.

De acordo com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), foram cerca de 2 mil árvores que caíram no DF em 2019, por fatores naturais como doença, ventos ou chuvas. O número é 30% maior que o registrado em 2018.

Todas as quedas geram transtornos em diferentes proporções. Nesta primeira ocorrência, por exemplo, o trânsito da região precisou ser desviado para que a remoção da árvore fosse efetuada pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF). A ação durou cerca de duas horas e exigiu o esforço de seis oficiais do 15º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM), da Asa Sul.

“Todo corte de árvore tem suas restrições. A gente trabalha com técnicas para desobstruir a via e não machucar ninguém. O perigo é uma árvore como essa cair em algum teto de casa ou carro. Antes de chegarmos, alguns veículos passavam por baixo da curvatura do tronco dela, sem noção do perigo. Poderia trazer danos materiais e à vida humana”, afirmou o 2º Sargento Adenilson Lira, do 15º GBM, responsável pela ocorrência. De acordo com o comandante, na Asa Sul, nesse período de chuvas, é comum esse tipo de circunstância.

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O risco das quedas preocupa quem mora próximo às grandes árvores na região. Sebastião Lobato Filho, de 57 anos, é residente na quadra 704/904 há 50 anos e relata que sempre as viu por ali. Para o aposentado, o perigo está na idade avançada delas.

“Eu nem costumo estacionar o carro por perto. Essas árvores têm mais de 50 anos, eu não quero ter prejuízo não”, afirmou o morador. “Tem umas árvores que estão para cair aqui perto. Eu espero que não aconteça nada grave. Acho que poderiam fazer mais podas ou colocar outras no lugar delas”, completou Sebastião.

De acordo com o chefe do Departamento de Parques e Jardins da Novacap, Raimundo Silva, a idade das árvores não é relevante nestas questões. Ao Jornal de Brasília, ele afirmou que o problema está na saúde delas. “Essa árvore que caiu [na 704/904] estava visualmente perfeita, mas havia podridão nas raízes. Portanto, o fato de ser antiga não quer dizer que vai cair. É um ciclo natural da própria floresta, seja urbana ou não”, explicou.

“Em Brasília as pessoas costumam dizer que caem muitas árvores, mas é algo normal. O volume das que caem em relação ao número das que se têm é pequeno. Nós, no DF, temos o menor índice de quedas do Brasil com relação a outras capitais, conforme uma pesquisa que fizemos”, continuou o diretor.

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O Plano Piloto concentra cerca de 27% das árvores do Distrito Federal. A região conta com 1,5 milhão delas, enquanto outras 4 milhões preenchem as outras Regiões Administrativas. Sobre a manutenção das arbóreas, a Novacap informou que, em 2019, foram 82 intervenções de poda nas copas e 2 mil delas retiradas por estarem doentes. As que exigem maior atenção são as espécies Manguba e Paineira-Rosa.

Na mesma quadra, no entanto, segundo a prefeita da área que delimitada entre a 104 e a 904 Sul, Marlene Pereira Guimarães, de 81 anos, são pelo menos 15 quedas lembradas por ela em 42 anos de moradia na mesma residência.

Marlene foi uma das vítimas de uma das quedas que aconteceram na região. “Uma das árvores daqui caiu em cima da minha grade. Levei mais de R$ 500 de prejuízo”, contou. “Essas raízes estão à flor da terra e qualquer vento mais forte pode derrubar. Em dias de chuva ficamos muito preocupados”, completou.

Ainda de acordo com o diretor Raimundo Silva, um projeto está em andamento para que problemas como esse sejam diminuídos e evitados. “Estamos contratando mais 25 equipes de poda de árvores que começarão os trabalhos agora no final de janeiro, em que faremos uma revisão de toda a arborização de Brasília e faremos a retirada das que forem necessárias, com o plantio de novas espécies”, comentou.

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Segundo ele, a maioria das árvores caem em decorrência do “plantio desordenado”, feito por outros habitantes da cidade, e não pela Novacap. Aqueles que se sentirem inseguros com relação às plantações, podem fazer contato com a ouvidoria do órgão pelo número 3403-2626, ou pelo 156, do Governo do DF.




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