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Cidades

Cinema e teatro têm ajudado pessoas com transtorno mental

Profissionais e voluntários do Caps II, no Paranoá, estrelam filmes e entretem pacientes, ajudando-os a aceitar melhor a própria condição

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Foto: Breno Esaki/Saúde-DF
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O grupo Companhia Atravessa a Porta, formado por profissionais de saúde e voluntários do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) II do Paranoá, tem levado cinema e teatro para pacientes com transtornos mentais. A arte tem ajudado pessoas com transtornos mentais a superar as barreiras pessoais e a aceitar melhor a própria condição.

Semanalmente, o grupo oferece oficinas e projetos de arte e cultura. O mais recente é a produção de um filme estrelado pelos frequentadores do Caps chamado de Os Capsianos. O longa conta a história de pessoas com poderes especiais, que ensinam os seres humanos lições sobre sensibilidade.

Locais como a Praça dos Três Poderes, com sua arquitetura única, foram escolhidos para o longa metragem, pois a trama retrata um futuro distópico (ruim, com anomalias, deformidades), onde a humanidade precisa reaprender sobre a importância dos sentimentos. Nesta realidade fictícia, os seres humanos vestem roupas de cor cinza para demonstrar a apatia vivida por eles. Por outro lado, os capsianos usam trajes coloridos e mobilizam a população com suas ideias, na “revolução da sensibilidade”.

Foto: Breno Esaki/Saúde-DF

A ideia do filme partiu dos próprios pacientes da unidade. Quem assume a autoria é Ana Cristina Anselmo, 45 anos, que interpreta um dos capsianos no longa. “Na brincadeira, eu dei esse apelido ao pessoal do Caps e a ideia de tratar sobre a sensibilidade. O mundo está sem amor ao próximo, com muitas pessoas egoístas. É um tema importante”, conta.

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Preconceito

Para Ana Cristina, um dos focos do projeto é quebrar o preconceito sofrido pelas pessoas com transtorno mental. Este processo ela conhece bem, e tem se esforçado para superá-lo com o acompanhamento psicológico que faz desde 2005. Mas, nas suas palavras, só conseguiu “se firmar” na terapia depois que começou o trabalho de teatro e cinema no Caps do Paranoá.

“O projeto ajudou a me aceitar. Eu tinha preconceito comigo mesma, achando que só era falta do que fazer. Mas não é. Tenho síndrome do pânico e depressão, aspectos da síndrome de Borderline. Assim, parece que tenho muitas personalidades em uma só. São oscilações difíceis de suportar. Mas quando eu me aceito como sou, sei que estou caminhando para mudar”, avalia Ana Cristina.

Quem também aproveitou a experiência de estar em um filme foi Darlly Ferreira, 34 anos. Ela sofreu um surto psicótico quando era mais nova, mas encontrou na arte uma forma de superar suas questões.

“Estou achando mágico. Já tinha feito teatro e foi gratificante para mim. É bom ter o reconhecimento de alguma coisa que a gente está fazendo. Fora isso, você se sente útil, com forças para continuar”, comenta.

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Potência terapêutica

Segundo a psicóloga do Caps II do Paranoá, Amanda Mota, os trabalhos semanais da oficina viraram, com o tempo, a Companhia Atravessa a Porta. “O intuito era pesquisar as linguagens cênicas e suas potências terapêuticas. E saber como a criação artística poderia ajudar a cada um deles”, lembra.

Na sua avaliação, as pessoas que frequentam o serviço de saúde mental têm um olhar diferenciado. Isso traz aspectos novos para as ações culturais. “É uma forma de sonhar coletivamente, através da criação, da arte. Isso vai mudando sentimentos, dando espaço para que possam se expressar e se integrar. Às vezes, é uma forma de mandar um recado para o mundo e que não poderiam fazer de outro jeito”, pondera a psicóloga.

Produções

Atualmente, Os Capsianos é a sexta produção cinematográfica do grupo, entre curtas e longas, com previsão de concluir as gravações em 2020. Um outro filme deles será lançado ainda este ano, chamado Antônio sim, por que não, que conta a história da vida e da morte do personagem principal.

Foto: Breno Esaki/Saúde-DF

“Apresentamos os filmes no Caps, mas sempre tentamos levar para outros públicos. Já indicamos alguns para mostras na UnB (Universidade de Brasília) e eventos de saúde mental. Este referente à história do seu Antônio é nosso primeiro longa e queremos fazer uma estreia pública. A ideia é buscar um espaço público de exibição, além da saúde mental”, informou Amanda Mota.

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